Pai é quem está presente

Postado em 12/08/2017 20:01:12 Tiago Martinello

Hoje é Dia dos Pais. Data perfeita para tratar um tema complicado nestes nossos tempos modernos, dos passados e que certamente ainda nos assombrará no futuro: pais ausentes.

Rege um ditado que a mãe é tudo na vida de uma criança. Pois bem, se a mãe ganha esse status, por que o pai não pode ser um ‘tudo’ também? Porque existe só um “tal pai, tal filho” para tratar sobre as semelhanças, mas os pais não podem ser vistos como um ‘tudo’ na vida de seus filhos? Eu sei que certamente quanto mais figuras de ‘tudo’ que as crianças tenham em suas vidas, melhor será para elas.

Dito isso, fica claro que não existe pessoas mais importantes na vida de alguém do que seu pai e sua mãe. São insubstituíveis, e cada um tem o seu papel. Se um desses faltar, certamente o indivíduo terá um vazio em toda a sua existência, uma lacuna a ser preenchida em sua vida.

Assim chegamos a nosso pensamento principal: pai não é quem gera um espermatozoide e pensa que, “pronto, já fiz o meu trabalho. Agora a mãe e o mundo se viram pra criar esse mininu”. Muito pelo contrário, esse é apenas o começo de tudo.

Outro ledo engano da nossa sociedade é pensar que o genitor é sempre o melhor pai. Em regra, deve ser. No entanto, se ele não for presente, se não se preocupa em fazer parte da vida do seu filho(a), se não tem pelo menos o esforço de estar ali presente, e outro o fizer, esse será o verdadeiro pai.

Pai não é quem gera. É quem cria. Não é um papel com porcentagem de DNA, nem um momento biológico que vai dizer quem é ou não é o pai de alguém. É um papel muito importante para ser definido por coisas tão pequenas. São os gestos, os valores, as lições, as broncas, a paciência, as noites em claro, as brincadeiras, os sacrifícios, em suma, o dia a dia. Isso tudo é que vai fazer uma figura paterna.

Isso é estar presente. E esse é o ponto mais importante da paternidade. Não existe modelo perfeito de pai. Nem fórmula certa. Pai vai ser pai, e pronto, seja ele descuidado, rígido demais, burro, preguiçoso, dotado de poucas virtudes ou qualquer outra característica defeituosa do homem. Todas as desvantagens serão superadas se o pai estiver lá junto ao filho, apoiando-lhe nos melhores e piores momentos,

A presença supera até os conceitos modernos e separatistas de família. Não importa se o pai é casado com a mãe ou se é separado, se já constituiu outra família, se é solteiro, se é viúvo, se trabalha muito ou pouco, se é rico ou se é pobre, saudável ou doente, se tem muito tempo livre ou não. Todas estas condições são pouco relevantes para o pai que nunca desiste de participar da vida dos seus filhos.

Para quem duvida do valor da presença como fator fundamental da paternidade, basta puxar na memória uma boa lembrança do seu pai, seja ele vivo, ou não. Você vai se dar conta que essa lembrança só foi possível porque, acima de tudo, ele estava lá com você.

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