Parto natural: avanço na redução da mortalidade materna e infantil

Postado em 26/01/2017 23:44:28 Raimundo Angelim

Quero dedicar este espaço, nesta edição, para tratar de um assunto que lava a alma e aquece o coração. Quero falar sobre a importância de que conscientizemos cada vez mais a sociedade sobre os benefícios do parto natural e humanizado para que o nosso país avance na redução dos indicadores da morbimortalidade materna e infantil que, infelizmente, ainda são elevados no Brasil, principalmente em relação aos países mais desenvolvidos.

Durante toda a minha vida profissional – como professor, como prefeito e como deputado – sempre procurei realizar aquilo a que me propus com o olhar de quem cuida, com zelo, carinho e responsabilidade, assim como o olhar maternal. E assim sendo, não poderia deixar de abraçar essa causa porque nada é mais importante do que o direito á vida, a nascer com dignidade, respeito e mais do que isso, de forma natural e saudável.

Assim, com o propósito de contribuir, por meio do mandato parlamentar, para a redução da morbimortalidade materna e infantil no Acre, viabilizei recentemente a liberação de R$ 699 mil no Ministério da Saúde para investimentos na Maternidade Bárbara Heliodora, a maior do estado e referência para o alto risco. Os recursos são de uma das minhas emendas parlamentares e deverão ser destinados a aquisição de equipamentos e melhorias no ambiente e estrutura física para qualificação do cuidado com mulher e com a criança.

Na minha opinião, a gravidez e o parto sãos uns dos momentos mais sublimes da vida da mulher, por isso garantir a elas o direito a um acompanhamento adequado, respeitoso e humanizado é uma das formas, talvez a mais importante, de se evitar a morte materna e infantil. Com esses recursos espero colaborar para que o estado tenha condições de cumprir seu papel de oferecer às mães e aos bebês assistência de qualidade por meio da Saúde Pública, na nossa maternidade.

No entanto, quero destacar também o reconhecimento e valorização das parteiras tradicionais. Mulheres que preservam uma cultura secular na árdua missão de partejar, de proporcionarem nascimentos com quase nenhum recurso material a não ser sua abnegação, coragem, sabedoria ancestral e muito amor.

E na nossa realidade amazônida,de quem vive na floresta, muitas vezes em locais de difícil acesso, ou distantes, onde nem sempre é possível ou dá tempo chegar à maternidade, as parteiras tradicionais são as pessoas mais qualificadas para oferecer uma assistência totalmente humanizada ao parto, respeitando integralmente as características socioculturais das mulheres. Além disso, elas tem um sentimento de pertencimento, conhecem a história, a família, o lugar, a cultura, entre outros fatores que contribuem para a diminuição do risco de morte tanto das mulheres quanto das crianças.

Desse modo, é de suma importância que se tenha a dimensão da importância do parto natural e humanizado na redução da morbimortalidade materna e infantil seja pelas mãos de um parteira, seja na rede pública, onde a demanda por cesarianas ainda é muito grande e, em muitos casos por falta de conscientização sobre os benefícios do parto natural.

Vejamos que coisa espetacular. Nos países desenvolvidos, as pessoas estão optando pelo parto natural e humanizado, na contramão do nosso país onde a demanda por partos cesarianas ainda é grande. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a cada 10 partos realizados em maternidades particulares no Brasil, 8,5 são cesáreas sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 1,5. Por causa desse número, o Brasil ainda é campeão em número de cesarianas no mundo.

“Na Suécia, um país da Europa que está entre os de melhor qualidade de vida do mundo, as parteiras foram as responsáveis pela redução da mortalidade de mulheres e bebês em um trabalho que começou há mais de 300 anos quando, segundo a história, em 1685, a rainha decidiu criar uma escola de parteiras que juntava o saber prático e o saber teórico. Em 1711, começou a funcionar a Escola de Parteiras de Estocolmo e as estudantes recebiam formação e faziam juramento conforme um Código de Conduta Ética que destacava a obrigação de respeito às mulheres e de prestar-lhes assistência independentemente de serem pobres ou ricas ou se tivessem uma posição social alta ou baixa. A quantidade de parteiras seguia pequena e a mortalidade ainda era muito alta. Mas a sociedade sueca continuou seu esforço para ampliar o número de parteiras e, assim, atender todos os lugares do país. Em 1819, um decreto real ordenou que cada prefeitura contratasse pelo menos uma parteira. No século XIX, a taxa de mortalidade entre os bebês nascidos vivos era quatro vezes menor por conta do trabalho das parteiras. Hoje, na Suécia, as parteiras continuam sendo muito valorizadas e as mulheres preferem as parteiras para atendê-las durante a gravidez e no parto. Quando há complicações, as parteiras trabalham junto com os médicos obstetras. A Suécia tem uma das mais baixas taxas de mortalidade materna e neonatal de todo o mundo”.

Fiquei impressionado com esta informação e por isso fiz questão de recortar e anexar ao nosso artigo, para exemplificar que o parto natural significa avanço na redução da mortalidade materna e neonatal e no Brasil nós temos esse conhecimento bem ao alcance no seio da nossa Amazônia, no interior das grandes cidades, enfim.

Precisamos combater o preconceito que ainda existe sobre o parto natural e defender a vida de mulheres e crianças, seja pelas mãos das parteiras, seja nas nossas maternidades.

Defender o fortalecimento da Rede Cegonha, criada em 2011, no governo da presidenta Dilma é uma ação que precisa se empreendida por todos os que querem contribuir com a redução da morbimortalidade materna e infantil, pois instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), tem entre suas finalidades estruturar e organizar a atenção à saúde materno-infantil, numa rede de assistência que vai desde o pré-natal, ao parto humanizado e aos primeiros dias de vida do bebê.
Estou me somando a todos que militam por esta causa por compreender a vital importância da manutenção da prática do parto natural e humanizado, com a valorização das parteiras tradicionais e a ambientação das nossas maternidades. Ainda temos um grande desafio pela frente, mas creio ser possível mudarmos essa realidade e assegurar a vida de milhares de mulheres e de crianças.

*Raimundo Angelim é deputado federal (PT-AC)
Facebook: www.facebook.com/angelim.acre
Email: dep.angelim@camara.leg.br

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