Pobre “nóia”! – Jornal A Gazeta

Pobre “nóia”!

Outro dia, o Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, em meio à confusão gerada pela retirada dos dependentes químicos da “cracolândia”, acossado pela imprensa sobre o evento inditoso, saiu-se com essa: “A polícia só prende o nóia!” Pobres nóias, homens e mulheres, crianças e adultos, espalhados por esse Brasil continental. Milhares de crianças, ainda em tenra idade, já estão agora mesmo, envolvidas de corpo e alma com o mundo das drogas. A propósito, conforme depoimento do desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador da Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, só na região da cracolândia, na área central da cidade, a estimativa é de que até 400 crianças estejam envolvidas com drogas especialmente crack. Essa é a imagem perversa desse consumismo desenfreado de drogas alucinógenas, com seus efeitos devastadores, no lar, no transito e na vida cotidiana em geral, diante dos quais somos todos impotentes: O “dependente” é impotente; o Estado é impotente (até por omissão); a ciência médica é impotente; a igreja, também, é impotente.
Diante dessa impotência: “o dependente” é impotente; o Estado é impotente (até por omissão); a ciência médica é impotente; a igreja, também, é impotente. Dou continuidade a este artiguete pelo prisma filosófico. Rabisco algumas ilações simplórias; uma vez que sabemos da seriedade que o assunto envolve e, muito mais ainda, dos males que o consumo de drogas traz para nós todos. Então ou nesse caso, pergunto: Por que usamos drogas? Por que o mundo inteiro aderiu o consumo de drogas? Por que, Hein? Por que estamos todos impotentes diante desse avanço implacável do tráfico e consumo de drogas?
Sobre essa impotência, o filosofo francês Clément Rosset (77 anos) diz que é idiotia do real e idiotia diante do real. Perante o real, pois, diante dessa absurda identidade do necessário (as drogas) sou impotente para fazer com que ela não exista, isto é, a droga, seja ela qual for, existe, mas poderia não existir. Então nos drogamos, soçobrando na imbecilidade e na autodestruição.
Em outra ilação, essa para a estrita interpretação dos intelectuais, notadamente filósofos, Rosset, se refere ao uso da bebida alcoólica, diz-nos ele: bebe-se sempre por desespero e para escapar à equivalência do ser e do não-ser. Assim, na dupla visão da embriaguez, que não é uma vista dupla, Rosset revela uma espécie de simbiose do espírito e da duplicidade idiota do real, que é único e, entretanto, absolutamente relativo, definido e indefinido.
Então, leitor: Por que usamos drogas? Seria, além do efeito demolidor sobre a estrutura humana, a busca, a qualquer preço, do prazer desmedido? O “gosto” pela paixão? São as “delícias” da vontade, a volúpia de se superar uma circunstância? Seria a busca pelo que nos dá de fato um “verdadeiro e real” prazer? O certo é que não podemos explicar por que tantos se entregam a prática do uso abusivo das drogas.
O drástico independente dos motivos, é que o uso das drogas continua, cada vez mais, sua triunfal caminhada. Caminho soberano e incólume! Destruindo gerações e gerações de seres humanos. Derrubando leis e mandamentos; enchendo as penitenciárias, prisões e asilos; fazendo fracassar, sem respeito à idade ou sexo, jovens e velhos. Tirando a saúde do jovem, enfraquecendo a força do homem adulto e trazendo despudor à mulher. Pobres nóias!

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