Poder paralelo – Jornal A Gazeta

Poder paralelo

Não importa o que digam. Para todos os lados que olho, eu vejo uma fumaça tomando formas gigantescas, encobrindo tudo o que vê pelo caminho. Essa fumaça é a violência.
Meu pai entrou para as estatísticas. No final de semana entraram na casa dele e roubaram um pouco do que ele conseguiu conquistar com muito esforço. Meu irmão caçula de apenas 7 anos estava abalado, não conhecia a sensação de perder as coisas de uma forma tão ruim.
Eu lamentei por não conseguir construir um mundo melhor para que meu irmãozinho e tantas outras crianças do meu estado possam viver. Lamentei saber que nada seria feito para que eles conseguissem recuperar os bens.
Meu pai é um homem otimista, sorridente e durão. Mas, naquela noite, eu vi tristeza no seu olhar. Vi uma faísca de esperança se apagando e foi duro.
Eu o consolei e disse que pelo menos o prejuízo havia sido pequeno. “Para um professor temporário como eu e com problemas de saúde o prejuízo é sempre grande, minha filha”, disse ele.
Voltei para casa e acessei as redes sociais. Lá, diversos relatos de pessoas vítimas da criminalidade naquele mesmo dia. Gente que teve a moto ou o carro roubado, gente que teve o celular subtraído, gente que também teve a casa invadida. Gente como eu e você. Gente refém do medo.
E até mesmo para trabalhar está difícil. A equipe de uma TV local foi interceptada por criminosos armados nesta segunda-feira, 30. Para gravar no bairro Seis de Agosto, a repórter precisou pedir autorização de membros de facção. E veja que não estamos falando dos morros do Rio de Janeiro, leitor.
Perdemos o controle? A cidade está sendo tomada? O crime organizado vai levar a melhor nessa história? Eu não quero acreditar.
Já fui vítima da violência mais de uma vez. Mas isso não me isenta de passar por tudo de novo. Os bandidos se sentem deuses. Nossas fronteiras estão praticamente desprotegidas. O Governo Federal se recusa a tomar providências.
Por isso, minhas preces são para que algo de eficaz saia desse encontro realizado na última sexta-feira, 27. Governantes, governem! O povo precisa de vocês. Não desistam. Precisamos de esperança e medidas emergenciais.

“Governantes, governem! O povo precisa de vocês. Não desistam”

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