Por um trabalho colaborativo e sustentável comprometido com a justiça socioambiental e a democracia – Jornal A Gazeta

Por um trabalho colaborativo e sustentável comprometido com a justiça socioambiental e a democracia

*Raimundo Angelim

 Pensar em realizações que contribuam para construção de um mundo melhor, com uma sociedade mais humana e mais justa passa pela conscientização sobre o valor da cooperação e fundamentalmente da importância da sociedade civil organizada em atuar livremente com seu papel propositivo. Estamos na era do compartilhamento e da colaboração e o desafio posto para que as Organizações da Sociedade Civil avancem é justamente esse: construir um ambiente de confiança dentro de uma equipe e um espírito colaborativo. Num momento em que é preciso estarmos cada vez mais atentos às oportunidades a nossa volta, tendo como reflexão norteadora que é imprescindível que cada uma faça sua parte, compondo assim uma teia indissolúvel e potente capaz de promover as mudanças que tanto ansiamos.

Com os avanços tecnológicos, principalmente da internet, as formas de se compartilhar objetos, conteúdos e até a sua própria casa, além da colaboração na hora de ajudar outras pessoas, são potencializadas com a conectividade. Nessa nova era, além de mudar a nossa relação com o consumo, deixando-o mais consciente, nos deparamos com a criação de novos modelos de gestão dos nossos empreendimentos, como o coworkings.

Assim, precisamos ser capazes de criar ambientes virtuais para a comunicação entre os membros das diversas equipes envolvidas no planejamento, desenvolvimento e conclusão de um projeto. Este tipo de ambiente possibilita também, caso haja necessidade, a participação de especialistas altamente qualificados, especialmente mobilizados para atender as demandas de um projeto desafiador. Além, é claro, de permitir a interação ativa dos financiadores e dos beneficiários, para que o projeto esteja sempre alinhado com suas expectativas.

Por isso é que as plataformas de colaboração estão cada vez mais em alta. Muitas vezes, não é necessário um grande investimento para colocar uma ideia na rua. Por meio de redes de financiamento coletivo, milhares de pessoas podem ser impactadas por algum projeto e se sentirem estimuladas a colaborarem financeiramente com uma proposta inovadora. Dessa maneira, os empreendedores sociais podem receber pequenas quantias de dinheiro de uma grande quantidade de pessoas, tendo o potencial de arrecadar o equivalente ao que apenas grandes investidores poderiam colocar naquela ideia.

Nós não fomos sempre “predadores ecossociais”, este modo de coexistência humana que valorizou a competição foi culturalmente introduzido pela civilização patriarcal, guerreira e dominadora, complementada pela ciência moderna, que estruturou uma visão mecanicista da natureza, como se esta fosse uma máquina que pode ser entendida e consertada, da qual podemos conhecer os segredos, a partir da análise de suas partes.

Como contraponto, a noção de sustentabilidade extrapolou os marcos do desenvolvimento econômico e busca se afirmar como um novo paradigma, abrangendo as dimensões ecológica e ambiental, demográfica, cultural, social, política, institucional e outras.

Apenas com o fortalecimento da democracia e a adoção de um modelo de desenvolvimento focado na justiça socioambiental e na crença de que “uma outra economia é possível”, mais solidária e sustentável, será possível superar a atual situação.

O termo “justiça ambiental” se relaciona com a qualidade de vida e com as condições de trabalho ao se referir a uma distribuição desigual dos riscos e cargas ambientais decorrentes do processo de desenvolvimento de uma sociedade. Essa desigualdade é socioambiental e tem implicações nas iniquidades sofridas pela população em sua saúde, educação, segurança, trabalho, etc.

Por exemplo, as mudanças climáticas e os eventos extremos são agravados pelo uso intensivo de combustíveis fósseis, pelos desmatamentos e pela elevada emissão de gás carbônico. Têm uma origem social, humana, relacionada ao modelo de sociedade, não são eventos “naturais”. Ao mesmo tempo, há uma ocupação de territórios orientada por questões de renda, as pessoas frequentemente vão morar em áreas de risco porque não existem políticas públicas que deem a elas outra opção.

As perspectivas políticas para o momento são de muita luta, de resistência e, ao mesmo tempo, de muita dificuldade, sobretudo se as forças políticas conservadoras continuarem aumentando sua influência no Congresso Nacional e na sociedade.

Criatividade, perseverança, espírito colaborativo, um olhar atento e iniciativa podem fazer a diferença no trabalho daqueles que se propõem a não esperar de “braços cruzados” que as políticas públicas definidas em gabinetes, de forma isolada e sem conectividade com a realidade logrem êxito nos resultados de suas ações. Não perder jamais a vontade de realizar, a determinação de ir além e a capacidade de se indignar diante do que está errado são premissas que nortearam muitos dos que já passaram e deixaram seu legado para esta geração. Que sigamos estes passos!

*Raimundo Angelim é professor, economista, ex-prefeito de Rio Branco e deputado federal (PT-AC)

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