Povo subestimado – Jornal A Gazeta

Povo subestimado

A greve geral promovida por diversas categorias profissionais e entidades sindicais na última sexta parou o Brasil mais uma vez. Desta vez, o alvo das manifestações foi o repúdio dos trabalhadores contra as reformas da Previdência e Trabalhista, proposta pelo Governo Federal e que, lamentavelmente, já está em vias de ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Os protestos ganharam as principais cidades do país, e pararam muitas deles, inclusive. No Acre, a adesão foi grande. A estimativa foi a de que cerca de 8 mil pessoas participaram do ato.

Ainda assim, as vozes de todos esses milhares de acreanos, milhões de brasileiros, não foram ouvidas. A expressão dessa ignorância à palavra do povo se reflete em declarações como a do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que considerou o movimento um ‘fracasso’. “Tínhamos a expectativa de uma manifestação muito expressiva, e isso não aconteceu”, disse Serraglio.

O ministro foi além! Para ele, isso prova que a população em geral aprova as reformas.

A opinião de Serraglio, um homem em cargo de alto escalão do governo Temer, não foi isolada. Partiu após conversas com outros figurões do Planalto, em leve tom de arrogância.

Não dá pra dizer o que uma população de 200 milhões quer. Mas deu pra entender muito bem o querem os manifestantes que foram às ruas ontem. Só o Serraglio e os demais de seu governo parecem não ter entendido, ou preferem não entender.

Engraçado como as situações mudam em um curto intervalo de tempo. Quem era alvo dos protestos de outrora, quem saía com a imagem abalada, hoje comemora a força desse novo movimento. E os que puxavam os protestos de antes, tentam enfraquecer os de hoje.

Mas esse é o jogo natural da política. E um jogo que está sendo jogado há muito tempo no Brasil. Só que o brasileiro já se cansou de sair perdendo nele.

As propostas das reformas não são boas. Não se iludam. Não é mudando leis para fazer os trabalhadores perderem benefícios que o Brasil vai se ajeitar. Esse não é o caminho certo.

Se a Previdência Social chegou a um nível insustentável não é porque as pessoas precisam se aposentar mais tarde, ou contribuir mais tempo. É culpa de gestão. Abriram um rombo, que não souberam fechar. E agora é o brasileiro que vai ter de pagar a conta disso? Não está certo.

Pelo cenário, enquanto a vontade do povo continuar a ser ignorada pelos interesses de grupos políticos, mais greves gerais virão por aí! É só esperar pra ver. Criamos uma nova rotina de ser brasileiro.

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