Religião e Comportamento Social – Jornal A Gazeta

Religião e Comportamento Social

“Todas as religiões não
passariam de formas de
convívio social, com vistas à
formação de uma comunidade moral
(Émile Durkheim)”

 

Abordagem de alguns teóricos sociais, século XIX, considera que uma das funções das doutrinas religiosas é desempenhar um papel proeminente no controle social.
Na teoria de Émile Durkheim (1855-1017) por exemplo, temos:
a) os aspectos coletivos da religião são acentuados; b) a função dos “rituais” religiosos é afirmar a superioridade moral da sociedade sobre seus membros individuais, e com isso manter a solidariedade orgânica da sociedade. c) Todas as religiões não passariam de formas de convívio social, com vistas à formação de uma comunidade moral.
Essas assertivas de Durkheim, bem como as Max Weber (1864-1920) e, notadamente L.T. Hobhouse ( 1864-1929) eminentes sociólogos, ocupam-se dos códigos morais das principais religiões, especialmente do cristianismo, considerando suas relações com o comportamento social.
À luz dessas antigas premissas, pergunta-se: Por que, caso específico do Brasil, sendo o cristianismo uma religião que se abebera, obviamente, do Evangelho, com padrões éticos definidos, diminuiu consideravelmente sua influência na moralidade social? Por que o cristianismo brasileiro com seus 123 milhões de católicos e mais uma população de 42 milhões de evangélicos, parece está “perdendo” a guerra para a corrupção e a desonestidade que permeia os quatro cantos da nação? Afinal, o Brasil possui notoriedade de “nação cristã!” É leviano, a esta altura, deduzir ou dizer que a maioria dos “cristãos” não tem nenhuma responsabilidade de colocar em prática o que aprendem no catecismo ou, na escola bíblica dominical?
Teria o cristianismo brasileiro sucumbido ante o relativismo moral, do presente século? Há menor tolerância, das igrejas cristãs brasileiras, com a cultura da diversidade? O cristianismo brasileiro secularizou?
Por exemplo, a nação católica brasileira, está desde a quarta feira de cinzas (14.02.2018) sob os auspícios da “QUARESMA” cujo ápice acontece nesta semana, com a lembrança do sofrimento vicário do Senhor Jesus, sua morte e sua ressurreição, esta celebrada com as festividades da Páscoa. No entanto, a violência não cessa. Não se está pedindo que a raça humana viva a alteridade, como deseja o Santo Papa Francisco. Muito menos, que vivamos a essência do amor ao próximo, mandamento do Senhor Jesus Cristo. Não, isto é ideal em demasia, para a estupidez do homem da era cibernética. Nada de utopias, do Estado Ideal de Platão. O que se quer, é um mínimo de civilidade, de respeito mútuo, pois que somos parte do mesmo contexto político-social. . Esta idéia, longe do ideal, de uma civilização cosmopolita permite que os seres humanos possam se sentir e se tratar como membros de uma só comunidade, não apenas pelo estreitamento das relações interpessoais, quanto pelo fato de compartilharem uma causa comum. Compartilhar a mesma condição, reconhecer em si e nos demais a mesma dignidade, enfim, sentir-se no mundo como co-habitantes da mesma. Afinal, pode-se argumentar que uma das características do desenvolvimento da moralidade, pelo menos em certas sociedades modernas, é a crescente diversidade das religiões e suas crenças morais dentro da sociedade. Contudo, no Brasil, é notório e público, essa conseqüência não traz resultados no campo do comportamento social!

 

*Gestor de Educação Superior/Humanista. E-mail: assisprof@yahoo.com.br

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