Reveses e glória de um jogador – Jornal A Gazeta

Reveses e glória de um jogador

Quanto tempo a gente leva pra aprender o procedimento adequado?
Será que avanço? Espero? Devolvo? Suporto? Digo? Ou calo? Reclamo ou digiro? Será que resisto, ou extravaso? Será que duvido? Ou confio? Arrisco? Evito? Mantenho? Ou esqueço? Sustento ou desmonto?
Ah, quantas vezes a gente se aflige em dilemas, quantas vezes maldiz o que sucede, quantas vezes lamenta o que não fez e outras tantas se rói de arrependimento por ter feito?
E se pergunta, enquanto arde: quanto sofrimento cabe na bagagem de cada um?
E é dia após dia, conformado em não saber, comprometido em persistir e atentar, que a gente, humilde, segue.
Então há um momento em que a vista começa a clarear, os fatos ganham novo sentido e o mosaico da vida se revela, gradativamente.
É quando, sem aviso, vem a prova.
Aí, com a resistência que consolidou durante os temporais, com a serenidade de quem sobreviveu a tantas conturbações, com a instrução que obteve ao constatar cada passo em falso, a gente se descobre confiante, destrinchando a equação.
E não há influência, nem palavra, nem dogma, nem ameaça, nem sedução, nem chantagem, nem gesto algum que faça a gente hesitar ou desviar-se do discernimento que se permitiu construir ao longo das experiências.
Porque consciência é o grande trunfo humano.
Então – ah, que sabor inconfundível… –, no arremate, a visão é ampla, a técnica é apurada, a jogada é precisa e o chute é certo.
Gol.

 

“Então há um momento em que a vista começa a clarear o mosaico da vida se revela”

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