Rio Acre passa dos 12 metros e boxes já são instalados no Parque de Exposição – Jornal A Gazeta

Rio Acre passa dos 12 metros e boxes já são instalados no Parque de Exposição

BRUNA LOPES

No final da tarde desta quinta-feira, 11, o Rio Acre atingiu a marca de 12,70 metros na Capital. E, como prevê o Plano de Contingência do município, algumas medidas já começam a ser adotadas. A primeira delas é a limpeza do Parque de Exposições Wildy Viana e a construção de 100 boxes.
A cota de alerta em Rio Branco é de 13,50 metros e a de transbordo é de 14 metros. Ou seja, falta apenas 1,3 m para o rios transbordar.
A Defesa Civil do município trabalha com a projeção de chuvas até sábado, 13. Por isso, a tendência é que haja um acúmulo significativo de chuvas. Nas últimas 24 horas, segundo o Corpo de Bombeiros, choveu 8,6 milímetros.
O que acontece em Rio Branco é consequência da situação do rio pelo interior do Estado. Por isso, a coordenação da Defesa Civil monitora o Rio Acre em Assis Brasil, Brasileia e Xapuri. Outro dado preocupante é que nesta quinta-feira, mais um dos principais afluentes, que é Riozinho do Rola, marcou mais de um metro de elevação no nível de suas águas nas últimas 24 horas.
De acordo com a Defesa Civil, as primeiras famílias atingidas caso o rio comece a transbordar estão nos bairros Seis de Agosto, Airton Sena e Baixada da Habitasa.
Previsão do tempo
De acordo com o pesquisador meteorológico, Davi Friale, em Rio Branco é quase certo que o Rio Acre atinja a cota de alerta até o próximo domingo, 14. O aumento é justificado pelo fato de o Riozinho do Rola estar subindo rapidamente. Em Xapuri, sobe também, mas com menos intensidade, após ter aumentando 1,6m, nas últimas 12 horas, e mais de 4 metros, nas últimas 48 horas.
Nos demais municípios acreanos, os rios também apresentam cheia. Em Sena Madureira, o nível do Rio Iaco passou, nas últimas 24 horas, de 6,0m para 8,5m, e continua subindo. Mesmo com esta rápida subida, não apresenta tendência de atingir rapidamente a cota de alerta.
Em Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá subiu de 7,0m para 9,0m, nas últimas 24 horas. O nível do Rio Purus, em Manoel Urbano, pulou, também em menos de 24 horas, de 7,0m para 9,5m.

O Rio Madeira e a BR-364

O fantasma do isolamento parece cada vez mais real no Acre, devido ao nível do Rio Madeira. E, para evitar prejuízos, os empresários acreanos já se reuniram para traçar estratégias, caso as águas cubram a BR-364 que liga por via terrestre o Acre ao restante do país.
À frente das discussões, a Associação Comercial do Acre (Acisa) realizou um primeiro debate na última terça-feira, 9. De acordo com o presidente da instituição, Bento Celestino, o objetivo do encontro foi reunir instituições públicas e entidades que representam o setor privado para a busca de alternativas de logística com o objetivo de reduzir qualquer impacto em uma possível nova cheia e isolamento.
“É importante que fiquemos atentos ao possível fechamento da BR-364 com antecedência, por isso, é importante realizarmos reuniões como estas, acionando os principais órgãos e instituições para debater alternativas viáveis e evitar o desabastecimento do comércio do nosso Estado”, destacou.
Para não serem pegos de surpresa, os empresários pretendem se antecipar a uma eventual interdição da rodovia e, ao mesmo tempo, evitar providências de última hora como aconteceu na traumática cheia do Madeira de 2014.
Para se ter ideia do risco iminente de um novo alagamento, o principal rio rondoniense está medindo 19,95 metros, hoje. Nesta mesma época no ano passado, o rio marcava 19,67m. O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) está preocupado com a rápida subida e o volume das águas que avançam nas laterais da BR-364, e deve sugerir às hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio a abertura das comportas nas duas usinas.
Erosão na BR-364 e
nível do Rio Madeira

Outra preocupação surgiu nesta quinta-feira, 11, quando as imagens de uma erosão por causa da elevação da água foi registrada às margens da rodovia federal, próximo à Usina de Jirau, cerca de 120 quilômetros distante de Porto Velho, sentido Rio Branco.
A situação já está sendo controlada por uma ação integrada do Dnit e do Consórcio Jirau, informou a Polícia Rodoviária Federal.
A priori, de acordo com as informações dos envolvidos diretamente no reparo, o fluxo segue normal no trecho, sem bloqueios ou desvios.
Segundo informações da Defesa Civil de Rondônia, o nível do Madeira estava com 19,95 metros. A previsão é de que o rio continue subindo devido às fortes chuvas que caem na região de cabeceiras do manancial, em Madre de Dios, na Bolívia. A cota de alerta do manancial é de 16,68 metros.

Nível do Rio Madeira não compromete
tráfego de veículos para o Acre

O acumulado de chuvas na bacia do Rio Madeira tem refletido na elevação do nível do manancial, que registrou nesta quinta-feira, 11, a cota de 19,95 metros, no trecho do Abunã. A lâmina de água permanece a cerca de um metro abaixo da BR-364, que continua com tráfego de veículos normalizado.
O governo do Acre já iniciou a execução de medidas preventivas e estudos para atuação em caso de enchente. O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, realizou vistoria in loco dos trechos mais vulneráveis da rodovia, afetados na alagação de 2014.
“Realizamos esse monitoramento periodicamente, como forma de prevenção. Comparado aos anos anteriores, neste ano o nível do Madeira está um pouco elevado, em decorrências das chuvas na cabeceira. A população pode ficar tranquila, pois esse monitoramento é executado diariamente. A situação permanece estabilizada”, salientou Carlos Batista.

Ação integrada
O governo do Estado tem atuado de maneira integrada com os órgãos de defesa nacional e de Rondônia. Nesta sexta-feira, a governadora em exercício, Nazareth Araújo, vai se reunir com o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Luís Arnaut, por meio de videoconferência.
Em circular, repassada ao Corpo de Bombeiros Militar do Acre, a Usina Hidrelétrica de Jirau afirma “não haver riscos de inundação da rodovia BR-364, apesar da diferença mínima entre a elevação da pista e do nível das águas do Rio Madeira”.
De acordo com a gerência, na estrada há um conjunto de réguas milimétricas sendo operacionadas, que permitem identificar qualquer ameaça e a ação imediata da coordenação do reservatório de Jirau. (Maria Meirelles / Agência Acre)

Com subida do Rio Acre, moradores do
bairro Seis de Agosto temem enchente

BRUNA MELLO

O grande volume de chuvas tem causado a subida repentina das águas do Rio Acre. Com previsão de mais chuvas nos próximos dias, os moradores do bairro Seis de Agosto temem uma nova enchente e já se prepararam para deixar suas residências, caso haja necessidade.
A maior enchente já registrada do Acre ocorreu em 2015: 18,4 metros. Em Rio Branco, a cheia atingiu mais de 36 mil pessoas em 40 bairros, desabrigando mais de 1,2 mil famílias. Até então, a maior cota registrada na capital acreana havia sido de 17,66m, em 1997.
O autônomo Carlos Roberto, 52 anos, mora no bairro há 30 anos e viveu várias alagações, inclusive a de 2015. Na época, ele se abrigou na casa do filho, que mora em outra região da cidade.
“Foi mais de 2 metros de água dentro da minha casa. Perdi muita coisa porque fui subindo os móveis acreditando que a água não chegaria, mas chegou. Perdi uma cama box nova, sofá, fogão, um prejuízo de uns R$ 6 mil. Dessa vez eu já estou preparado e não vou deixar a água chegar para poder tirar os móveis”.
Raimundo Filho, 39 anos, morador do bairro há mais de 3 anos, também teve prejuízo financeiro na última enchente. Ele conta que perdeu tudo, somando um prejuízo de quase R$ 25 mil que ainda não foi recuperado.
“As águas oscilam muito e em pouco tempo avançam. Eu perdi tudo porque não acreditava que as águas subiriam tão rápido, mas subiu. Até hoje não consegui recuperar o prejuízo. Nem compro mais móveis por medo de perder de novo. Só comprei o básico, geladeira, fogão, cama. Hoje não posso nem usufruir das coisas que eu gostaria de ter”.
Apesar do prejuízo, o autônomo afirma que não pensa em se mudar para outro bairro. “Querem nos tirar daqui e nos jogar na Cidade do Povo e eu, que tenho família, não tenho condições de ir pra lá. Posso dizer que prefiro dentro d’água aqui do que ir morar lá”.
Por onde as águas passam, deixam marcas na vida dos moradores e em suas residências. É o caso da porteira Eliane Leite, 40 anos, que perdeu metade dos móveis na última alagação, que cobriu metade da sua casa. Ela conta que não acreditava que o nível do rio poderia subir tão rápido.
Prevenida, ela explica que já se prepara para alugar uma casa para se abrigar durante a possível enchente. “Estou esperando ver se a água vai chegar no quintal. Não vou fazer igual a última alagação que nós encostamos o barco dentro de casa para tirar o resto das coisas. Depois disso não compro mais nada. A única coisa que comprei foi um fogão porque é de utilidade básica”.
A aposentada Nazinha Maciel, 77 anos, também teme uma nova enchente. Em 2015, mesmo com o nível das águas ela resistiu até o último momento. Sua filha chegou a tirá-la de casa, mas não teve jeito. Após dois dias fora, a idosa retornou para casa mesmo sem energia elétrica.
“Graças a Deus não perdi nada por que a minha casa é alta. Mas naquela alagação o rio encheu muito rápido, e eu acredito que esse ano também vai ter enchente”.

Estado e Prefeitura discutem ações preventivas em possíveis enchentes do Rio Acre e Madeira

Em decorrência das últimas chuvas na bacia do Rio Acre, o manancial apresentou elevações na capital e interior do estado. Na tarde desta quarta-feira, 10, a governadora em exercício Nazareth Araújo e o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, se reuniram com os órgãos de defesa e meio ambiente que compõem a Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais (CEGdRA), para traçar estratégias de atuação e estudar possíveis cenários de enchentes.
Em Rio Branco, o Rio Acre registrou às 18 horas a marca de 12,70 metros. Devido à cota de alerta ser de 13,50 metros e a de transbordamento 14, a prefeitura decidiu iniciar a construção dos abrigos no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco. Desde dezembro, a instituição dispõe de um Plano de Contingência contra Enchentes.
“A gente pensa no que pode acontecer de mais grave e torce, claro, para que não ocorra. Mas havendo a necessidade, nós precisamos dar a resposta e nós estamos preparados para isso. É a preparação que nos dá a tranquilidade das ocorrências que são típicas da nossa região amazônica, de tratá-las com aquilo que é o respeito à população e com a serenidade que a prevenção nos garante e que é adequada para esse tipo de evento”, salientou Nazareth Araújo.
De acordo com o relatório de monitoramento hidrometeorológico da CEGdRA, a previsão para o primeiro trimestre do ano – janeiro, fevereiro e março – é de chuva acima da média em todo o Acre.
O prefeito Marcus Alexandre destacou as medidas preventivas em curso na capital. “Já amanhã, iniciamos o trabalho no Parque de Exposições, pois o rio atingiu uma cota próxima aos 12 metros. Então, todas as medidas que precisam ser tomadas dentro do Plano de Contingência serão tomadas imediatamente. A gente espera que a alagação não aconteça, mas se ocorrer estamos preparados, contando com o apoio do Estado”, frisou.
A situação no interior do estado também está sendo monitorada pelo governo. Em Assis Brasil, o Rio Acre registrou a cota de 6,32 metros, nesta quarta-feira, apresentando vazante de 16 centímetros entre as seis da manhã e 18h da noite. Já em Brasileia se manteve estável, registrando a marca de 6,68 metros.
Rio Madeira
O Rio Madeira também apresentou elevação nos últimos dias. Em Porto Velho o manancial registrou a marca de 13, 24 metros – nível abaixo da cota de transbordamento que é de 17 metros.
No trecho do Abunã, divisa entre Acre e Rondônia, o Madeira registrou a cota de 19,95 metros. A situação é monitora pela Defesa Civil Estadual que vai realizar vistoria nesta quinta-feira, 11.
“Monitoramos não apenas o nível do Madeira como também o volume de chuvas na bacia. Nesta quinta-feira, farei uma vistoria in loco para averiguar o nível de subida dessa lamina de água. Vamos entrar em contato com a Usina de Girau e Santo Antônio, bem como com a Agência Nacional de Águas (ANA), para que juntos possamos discutir a situação no Abunã”, explicou o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista. (Maria Meirelles / Agência Acre)

Assuntos desta notícia