Ruim com ele, pior sem ele

Postado em 18/12/2015 16:03:37

Se alguém pensou que o título  desse artigo é uma referência ao Eduardo Cunha, errou. Sobre ele já escrevi semana passada. O assunto de hoje também passa por questões criminais e judiciais, mas de outra natureza. Tô falando do bloqueio do WhatsApp que foi imposto aos mais de 100 milhões de brasileiros que o utilizam diariamente.

Eu sempre fui desconfiado com essas novas tecnologias que, ao mesmo tempo em que agilizam muitas coisas, criam também uma rápida dependência em seus usuários possibilitando, na maior parte das vezes, a manipulação dos mesmos para atender aos interesses de seus donos, através de seus algoritmos e outras artimanhas. Tanto assim que nem cheguei a participar do Orkut, demorei séculos pra entrar no Facebook e até hoje não me rendi ao Twitter e ao Instagram, pra citar só alguns.

É claro que isso não é nenhuma vantagem, mas, sinceramente, penso que as chamadas “redes sociais” padecem de um paradoxo essencial e insolúvel. Se, aparentemente, a comunicação virtual em “tempo real” acelerou muito nossas vidas, tornando tudo muito mais rápido, ágil e acessível. É fato, também, que cria uma crescente necessidade de dedicar mais tempo para acompanhar tudo que está acontecendo ao nosso redor. Assim, muitas vezes, o tempo que ganhamos ao usar uma ferramenta como o WhatsApp é perdido em dobro ao ficarmos no mesmo WhatsApp vendo e comentando o que não tem a menor relevância. Apesar de muito divertido.

Independente de considerações pessoais, o bloqueio do Whats revela que ambas as faces da moeda (justiça e Zuckerberg) estão erradas e ai quem sofre é a borda do meio da moeda: ou seja, nós.
Um dos muitos articulistas que escreveram sobre esse assunto hoje fez uma critica muito pertinente sobre os administradores do Whats. Em seu artigo no ZH, David Coimbra, duvida que Zuckerberg ousasse desobedecer a uma ordem da justiça norte-americana. Ou seja, a atitude dele revela certo descaso para com a Justiça brasileira, como se suas determinações não fossem “à vera”. E, acrescento eu, as postagens de Zuckerberg, atual dono do Whats, e de Jam Koum, seu criador, foram desrespeitosas com a Justiça e, se pensar bem, com os brasileiros em geral.

“Estou chocado que nossos esforços em proteger dados pessoais poderiam resultar na punição de todos os usuários brasileiros do WhatsApp pela decisão extrema de um único juiz. Esperamos que a Justiça brasileira reverta rapidamente essa decisão. Se você é brasileiro, por favor faça sua voz ser ouvida e ajude seu governo a refletir a vontade do povo”, escreveu o Zuck (vou abreviar porque pense num nome chato de escrever). Ou seja, depois de criticar a decisão judicial, como se fosse algo absurdo solicitar informações sobre as quais eles são os responsáveis, ainda se arvora o direito de conclamar os brasileiros a se rebelar contra a decisão judicial. Pelo jeito, logo logo o Zuck vai se can-didatar a presidente por aqui.

Mas, o Jam Koum foi ainda mais longe ao dizer que “Estamos desapontados com a decisão míope de cortar o acesso ao WhatsApp, uma ferramenta de comunicação que tantos brasileiros dependem, e tristes por ver o Brasil se isolar do resto do mundo”. Ou seja, além de temos uma Justiça míope, dependemos da criação dele e sem o WhatsApp seremos condenados a ficar isolados do resto do mundo. Quase não é arrogante esse Jam…

Por outro lado, há que se reconhecer que a decisão da Justiça de bloquear geral foi exagerada e cerceou nosso direito ao livre acesso à informação e à comunicação. Bastaria, como pronunciou o juiz que reverteu a decisão, cobrar uma boa multa para ensinar que decisão judicial não se questiona, se cumpre. Tanto faz se é no país deles ou no nosso. Até porque, provavelmente, iria doer muito mais neles atingindo seus bolsos, do que nos impedindo de ter acesso ao serviço. Em compensação, parece provável que esse acontecimento faça com que nossa Justiça seja mais cuidadosa e parcimoniosa na aplicação do Marco Civil da Internet, que é uma lei muito recente e, certamente, pode levar ainda a interpretações diversas por ausência de jurisprudência.

Ou seja, na queda de braço entre o Zuck e a Dona Justa, só sobrou pra nós. Apesar de que foi um bocado divertida a nova avalanche de memes, como acontece com quase tudo ultimamente, pra alivio da Fabíola e do Gordinho da Saveiro que saíram do foco principal da turma.

E, só pra não deixar passar, uma das melhores que eu recebi ainda há pouco pelo Whats já desbloqueado foi: “O WhatsApp é tão brasileiro que foi condenado… Aiiii paaah! Só cumpriu um terço da pena!!!”

Marcos Vinicius Neves

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