Jornal A Gazeta

Saudação da AAL ao poeta Mauro D’Ávila Modesto

Ilustre acadêmico Mauro D’Ávila Modesto, nós o saudamos nestes seus 75 anos de vida. Esta data não é uma simples festa, ela mostra um relógio, no tempo, com as marcas dos acontecimentos sociais e culturais, socializando e construindo o homem poeta no interior da cultura acreana, com suas regras de civilidade, cidadania, respeito e o culto à literatura e às letras. Completar 75 anos de vida é um marco histórico, porquanto a expectativa de vida ao nascer no Brasil era antes deste ano bem menor. Hoje está em 75,8 anos, um aumento de três meses e 11 dias em relação ao ano anterior, segundo informou nesta sexta-feira (1º) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O brasileiro que nascia em 1940 vivia, em média, 45,5 anos; em 1970, 57,6 anos, chegando aos 75 anos a partir de 2016.
Nós, estudiosos e acadêmicos, comparamos a vida a uma corrida pela longa estrada que nos é traçada. Vencer cada trecho, cada etapa, é motivo de alegria, incentivo a novos desafios, sempre festejados e confraternizados. O aniversário não é algo sem importância como muitos pensam, o aniversário é um portal muito poderoso para se olhar os feitos passados e caminhar com segurança no tempo presente e se alegrar com o tempo que vem.
E, agora, tomamos as palavras da acadêmica Edir Marques:“a estrada da vida é uma corrida por trechos longos ou curtos, formados por etapas, ora fáceis, ora difíceis; feita de partidas e de chegadas. São momentos de ansiedade que antecedem uma nova corrida, momentos de adrenalina no percurso, que culminam, algumas vezes, com vitórias, outras vezes com perdas, quedas, obstáculos, desistências e portos de ancoragem”.
A corrida da vida é como uma corrida atlética, tem por meta a conquista do prêmio, é o desejo de não desapontar a torcida. O quê nos motiva nesta corrida? O desejo de vencer, cumprir metas e alcançar objetivos. Nós humanos não somos seres completos, somos inacabados. É de nossa responsabilidade terminar a obra divina, fazendo as escolhas na vida. A satisfação e a felicidade dependem exatamente dessas escolhas. E você as fez, poeta Mauro Modesto, durante a sua corrida até aqui.
E nessa corrida da vida “todas essas etapas são marcadas por faixas de largada e de chegada” (Edir Marques, 2018). O primeiro marco de largada da longa corrida de sua vida foi o dia de seu nascimento, seguida de intervalos de treinos para aprender a andar, comer, falar.. Depois, a primeira escola, que tem como ponto de chegada, a formatura, o troféu do diploma. E outros como: o primeiro emprego, a primeira namorada, o casamento, o nascimento dos filhos. São vitórias, são alegrias, algumas vezes lágrimas, é a taça da felicidade, ou a taça amarga das corridas perdidas. Para muitas pessoas as conquistas são ganhas com muito esforço, porque a vida não é fácil. Mas, de todo modo, somos nós que escolhemos o traçado da rota. Decidimos qual varadouro percorrer, assim como o poeta Mauro Modesto decidiu, ao deixar sua amada Sena Madureira, o Cafezal, e foi para o Rio de Janeiro. Lá conquistou o mais doce dos lauréis, a companheira de sua vida, a poesia.
Mas acidentes de percurso acontecem e ele voltou ao Acre, tangido pela Revolução que tantos danos causou ao país. Novos desafios, novos traçados, encruzilhadas, escolhas, perdas e vitórias! A competição cedeu lugar ao prazer da corrida em si. E hoje chegou até aqui com saúde e muita poesia. O segredo? A resposta tomamos de Edir Marques: “ Saber que tinha e tem o amor da família e os amigos para aplaudi-lo em suas vitórias, ampará-lo em suas quedas, consolá-lo em suas perdas, incentivá-lo a ir adiante, colhendo os frutos do seu plantio”.
Hoje, bateu a meta de expectativa de vida no Brasil: 75 anos. Alcançou o marco da chegada: acabou-se a competição, agora não mais a corrida e sim a caminhada sinfônica. Não é preciso mais imprimir velocidade e estabelecer distâncias e metas a alcançar. Agora é um novo momento: o momento da caminhada, leve, ritmada, tranquila. Que não será solitária, neste percurso, se longo ou curto e, talvez por isso, deva ser feito bem devagar! Percorra as veredas de sua estrada do seu jeito, como bem referiu a acadêmica Edir Marques, ao trazer os versos de uma bela canção de Almir Sater e Renato Teixeira:
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
….
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
E, para finalizar essa saudação do sodalício da AAL, nada melhor do que usar as palavras da poetisa, escritora e professora Edir Marques: “Na estrada da vida a felicidade é um prêmio de quem chega inteiro, como você chegou, aos 75 anos! Reconstruindo nossas histórias, haverá o dia da última chegada, que se confundirá com o da derradeira largada, a partida para uma nova e eterna vida”. Mais, ainda, ilustre acadêmico, aqui no paraíso da terra, louvamos e agradecemos a Deus por sua infinita bondade: estender mais anos de vida a você, poeta maior! Um brinde à vida bem vivida e os aplausos de seus pares!

 

DICAS DE GRAMÁTICA

Como se diz, quatorze ou catorze?
Você pode optar por qualquer uma das formas, pois ambas estão corretas.

Luísa Galvão Lessa Karlberg – É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Presidente da Academia Acreana de Letras e Membro da Academia Brasileira de Filologia.