Seca do Rio Acre: alerta para todos

Postado em 29/07/2016 04:27:51 Raimundo Angelim

O Rio Acre experimenta um dos períodos de seca mais severa de sua história, podendo ultrapassar o menor nível a que já chegou, em 45 anos de medições da Defesa Civil: 1,50m, em setembro de 2011. Nesta quinta-feira, 28, a medição constatou que a régua marcava 1,52m. Não há sinais de chuva, a seca segue intensa e ainda nem se chegou ao período de pico do verão amazônico, que é justamente no mês de setembro.

Assim, vão se confirmando as previsões dos cientistas e pesquisadores no assunto. Ainda no mês de março, o doutor em ciências ambientais e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Foster Brown, já previa que, um ano depois que o Estado viveu uma das maiores cheias, poderia enfrentar sua pior seca. Segundo expôs no workshop realizado no Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade Federal do Acre (Ufac), cujo tema foi “Vulnerabilidade à Seca de 2016”, as observações dos últimos 15 anos revelam o aumento progressivo da temperatura global, que continua influenciando nosso clima, associada ao avanço dos efeitos do fenômeno El Niño. Daí a produção de ondas de calor superiores às médias, fatores sentidos nos dias atuais.

São dados que devem deixar a todos em estado de alerta, pois os efeitos do calor e da seca são imensuráveis, com desastrosas consequências. O rio, por exemplo, é a vida da nossa cidade. Dele depende o abastecimento de água e os níveis atuais comprometem a captação na mais importante fonte de recurso hídrico de pelo menos nove municípios, além de pequenas localidades que o margeiam.

O Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), órgão responsável pela captação, tratamento e distribuição de água em Rio Branco, está operando em estado de alerta e já abaixo de sua capacidade, com toda a estratégia de captação readequada para o momento crítico.

As torres de captação estão operando com o apoio de bombas instaladas sobre três flutuantes e como os sinais de vazante ainda são progressivos, a preocupação só aumenta porque se a tendência apresentada é a de que a lâmina d’água está cada vez mais baixa, a captação e a distribuição de água serão diretamente afetadas e o abastecimento da nossa cidade depende 100% do Rio Acre, pois aquífero, segundo laudos da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, não tem viabilidade de exploração.

Essa sazonalidade do nosso rio que, paradoxalmente, atingiu a marca histórica de 18,40m na cheia de março de 2015, é um fenômeno com o qual estamos acostumados, e talvez por isso os cuidados com o meio ambiente que deveriam ser preocupação de todos durante todo o ano, acabam não sendo tomados.

Nesse momento,a ausência de chuva agrava a seca que já está sendo considerada a maior já registrada no Acre. À estiagem e à seca somam-se as queimadas num desastroso ciclo em que um fator favorece ao outro, desfavorecendo a todos nós.

Além da iminente falta de água, as crianças e os idosos são os que mais sofrem com problemas respiratórios.
A vazão do rio, com a alta da temperatura e baixa umidade do ar, só aumenta.

O quadro é tão delicado que levou o governador Tião Viana a decretar situação de emergência no estado.
Mas é preciso haver consciência coletiva de que a responsabilidade não é apenas do Poder Público com seus órgãos todos a serviço da fiscalização, da coerção e da tomada de providências que minimizem os efeitos da estiagem.

É preciso que cada pessoa faça sua parte, compreendendo que um gesto pode significar muito ao todo: não desperdiçar água e não riscar o fósforo que bota fogo no lixo ou na mata, são dois deles. Dos mais importantes.

Deixo para reflexão, um pensamento de Madre Teresa de Calcutá: “O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.”

Raimundo Angelim é deputado federal (PT-AC)
Facebook: www.facebook.com/angelim.acre
Email: dep.angelim@camara.leg.br

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