Sem saudosismo! – Jornal A Gazeta

Sem saudosismo!

Saudosismo é, entre outras definições, o prazer ou a tendência de superestimar o passado. Ser saudosista nos dias atuais é ser “piegas”, retrógado e ultrapassado. Exemplo crasso dessa tendência foi o comentário de um jornalista esportivo do SporTv, a partir da declaração do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que discorria, lembrando, os bons tempos em que torcedores do Botafogo e do Flamengo assistiam aos jogos, desses times, lado a lado nos estádios e, aqui fora, continuavam amigos, pois como dizia João Saldanha, se tratava apenas de um jogo de futebol. Diante dessa declaração, o comentarista disse que era louvável o saudosismo do Bandeira, mas que hoje, dada a violência generalizada, não cabe mais essas pieguices.

Em sendo assim, esqueçamos os tempos de civilidade e bons costumes do passado, e passemos a encarar a realidade estúpida porque passa a humanidade. Que de humano não tem nada. Estamos mais para energúmenos do que para seres racionais. Nada de querer relembrar os tempos dos casamentos duradouros, dos tempos dos igarapés sadios e dos dias em que as famílias dormiam em paz, à noite, com as janelas de suas casas abertas. Pois, afinal, agora temos a ditadura do PCC que mata quem quer, no lugar e hora que bem entender; que decreta o fechamento do comércio em geral, em bairros de cidades grandes, e determina que cidadãos de bem se recolham as sua prisões domiciliares.

Sem essa de saudosismo, uma vez que temos diante de nós, aqui e agora, uma realidade estúpida: da convivência brutal de 70 mil assassinatos por ano; de 14 milhões de pessoas desempregadas; de mais de 600 mil presos, num espaço que, supostamente, só cabem 250 mil; Etc. e tal.

Isso só em nível de Brasil, já que a situação mundial é também caótica. Temos aqui ao nosso lado um país vizinho sendo massacrado pela tal “revolução socialista”. Estatísticas não muito recentes estimam que 12 milhões de recém nascidos morrem todos os anos, por causa dos efeitos da subnutrição nos países em desenvolvimento. Li em algum lugar que “A metade das pessoas que vivem em pobreza absoluta estão no sul da Ásia, principalmente na Índia e Bangladesh. Um sexto delas vive no leste e sudeste da Ásia.

Outra sexta parte está no sub Saara africano. O resto divide-se entre a América Latina, norte da África e Oriente Médio. Nestas regiões tropicais ou situadas no hemisfério sul, a que comumente damos a denominação de Terceiro Mundo, calcula as Nações Unidas que pelo menos 100 milhões de crianças vão para a cama faminta, todas as noites”. Além disso, há regiões onde a fome é total, imperativa mesmo, e outras causas indiretas, como doenças e más condições físicas agudas, que prostram milhares de vítimas. As mortes ocasionadas por essas condições nem sempre são relatadas pelos membros da família.

Por causa dessa crueldade desumana, a relação entre os homens está seriamente comprometida; a convivência nos centros urbanos, principalmente, tornou-se um caos, uma desordem social que tende a se agravar; não temos princípios, nossos valores são decadentes, “aniquila-se o homem e a mulher, destrói-se o idoso e a criança.”

A multiplicação da violência se apresenta como um contra-senso no momento em que nossa compreensão dos fenômenos naturais e sociais está mais aguçada; em que o avanço do saber cientifico e das conquistas da razão atingiram patamares extraordinários; em que a consciência do valor e do respeito à vida pareciam afirmar-se definitivamente de modo indiscutível.

Deste modo, à luz do pensamento da era whatsapp e outros aplicativos de comunicação instantânea, saudosismo é “babaquice”. A curtição do momento é a cruel intolerância e, por fim, a morte!

Francisco Assis dos Santos, Gestor de Educação Superior/Humanista. E-mail:assisprof@yahoo.com.br.

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