Sob o mesmo teto

Postado em 14/11/2016 23:26:12 BRENNA AMÂNCIO

Os casos de violência contra a mulher no Acre me assustam. Só neste final de semana foram registrados três assassinatos. Todas as vítimas são mulheres e possuem algo em comum: foram mortas por seus maridos.

Os trabalhos de políticas públicas para combater esse tipo de crime estão mais organizados e distribuídos. Contudo, apesar dos números apontarem o contrário, não sentimos avanço. As Marias, Franciscas e Claudinéias continuam sendo assassinadas todos os dias.

Sabe por que essa mudança ainda não foi verdadeiramente significativa? Porque estamos tentando costurar o remendo errado. Não vamos conseguir chegar muito longe apenas incentivando as vítimas a denunciarem e a se defenderem. Está na hora é de os agressores serem colocados no centro das atenções.

Conheci um trabalho bem próximo do que eu estou tentando descrever sendo realizado pela Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, em Rio Branco. Os agressores eram chamados a participarem de rodas de conversa com psicólogos para, quem sabe, descobrir a origem de toda aquela violência e tratá-la.

Infelizmente, poucos aceitavam o desafio. Acabava que o projeto ficava sem um sentido real. Ainda assim a ideia é boa e torço para que dê frutos.

Uma amiga discutia comigo certo dia sobre achar a Lei Maria da Penha errada. Para ela, todos os crimes deviam ter punições semelhantes, pois “assassinato é assassinato”. Só que não é bem assim.

Há um distúrbio na sociedade e esse é um dilema cultural. Na maioria dos casos, os maiores agressores e assassinos de mulheres são seus companheiros ou pessoas de confiança que vivem sob o mesmo teto. E essas cenas de crimes se repetem. Você abre o jornal e chega a pensar que está tendo um Déjà vu.

No último dia 2 de novembro foram revelados os Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os números apontam que o Acre possui a maior taxa de estupros por habitante do Brasil. Em 2015, o estado registrou 65,2 casos por 100 mil habitantes, enquanto que a taxa média do país é de 22,2. As maiores vítimas são mulheres.

Portanto, tem que ter legislação específica sim e as leis precisam ficar ainda mais severas. Os bonitinhos que gostam que bater em mulher vão ter que aprender que agressão é crime de um jeito ou de outro.

Temos que ensinar nossas crianças sobre o respeito ao próximo. Elas podem escrever um futuro melhor para esse país.

editorial

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