Sobre as eleições municipais de 2016

Postado em 18/11/2016 00:05:24

“Ninguém está tão certo de alguma coisa como o homem que pouco sabe”. Esta frase, que li recentemente em um livro de Bárbara Tuchman chamado “A Marcha da Insensatez”, tem rondado minhas reflexões sobre o resultado das últimas eleições municipais, especialmente quando leio alguns comentários e projeções publicados na imprensa por aqueles sempre prontos a um prognóstico, confiantes no fato de que ninguém, daqui a dois anos, irá checar a veracidade das previsões infalíveis que estão hoje fazendo.

Salvo raras exceções, noto uma tendência dos analistas em superestimar os vencedores do último pleito municipal e subestimar, a avassaladora onda de votos nulos, em branco e de abstenções que marcou estas eleições de 2016.

Mais do que extrapolar a tendência verificada com vistas a criar certa onda para 2018, como se as eleições municipais tivessem uma ligação direta com as eleições presidenciais, visão que contraria toda a nossa história recente, deveríamos estar seriamente debruçados sobre este fenômeno que, aparentemente, é um voto “tô nem aí”, mas que carrega uma grande dose de protesto e desencanto, com suas implicações não só eleitorais, mas principalmente para nossa democracia e para o fortalecimento de nossos partidos como instrumentos da cidadania política.

A soma da abstenção com os votos brancos e nulos seria o grande vencedor das eleições municipais de 2016. Ficaria em primeiro lugar em 10 capitais no primeiro turno, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, cinco das maiores cidades do País. Ficaria em segundo em outras 12 e em terceiro nas quatro restantes.

Das 18 capitais onde houve segundo turno, ganharia em 3 delas, novamente entre as maiores (Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro). Estamos falando de algo em torno de 12 milhões de votos não consumados, só no primeiro turno das capitaisdo País. Esta situação revela uma perigosa tendência de negação da política em face de uma exacerbação moralista, como se a política não fosse instrumento para a construção da ética de uma nação.

Considero antidemocrática e perigosa esta tentativa de negar a política e de superestimar a judicialização das relações sociais, como se a solução de todos os nossos males dependesse da decisão de um juiz e do cassetete do policial.

Espero de cada prefeito(a) e vereador(a) recém-eleito que honre o seu mandato, atuando com ética, dedicação e seriedade, para que o povo volte a ter gosto pela ação política, que a luta dos nossos jovens que resistem ao desmonte da educação brasileira sirvam de exemplo e inspiração.

Espero também que cada um dos eleitos sustente o diálogo com o povo e com os seus pares, que estudem e proponham bons projetos, que enfrentem os desafios com o olhar fixo no horizonte e apontando para o futuro, renovando a esperança do povo, não só reclamar do gestor anterior, numa opção de olhar pelo retrovisor.
O povo quer trabalho!

Raimundo Angelim é deputado federal (PT-AC)
Facebook: www.facebook.com/angelim.acre
Email: dep.angelim@camara.leg.br

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