Sonhar – Jornal A Gazeta

Sonhar

Com apenas 8 anos de idade, o estudante Raphael Kawêh mostra que é possível realizar sonhos se você tiver força de vontade, persistência e pessoas que o apoiem ao seu lado.
Um dia, ao sair do cinema, o pequeno, tomado por uma súbita ideia, olhou para o pai e disse que queria comprar um cinema. O motivo era o mais nobre possível: dar a chance de crianças carentes poderem ir ver um filme nas telonas de graça.
O pai sorriu, sabendo que aquele era um desejo lindo, porém distante da realidade financeira deles. Não queria desmanchar um pedido tão cheio de humanidade, por isso, deu outra sugestão ao filho: iriam fazer sessões de cinema em bairros carentes da cidade.
A ideia amadureceu e foi colocada em prática inicialmente no bairro Cidade Nova. Logo, dezenas de crianças ganharam a cada quinze dias um cinema na localidade, com um filme divertido acompanhado de pipoca e refrigerante.
Eu fiquei sabendo do projeto Cine Oportunidade pelo Facebook do pai do Raphael Kawêh, o assistente social Rafael Almeida. A família do menino e mais alguns voluntários tornaram o sonho possível.
Assim que vi, eu quis tornar o projeto de conhecimento de todos, porque acredito que casos como esse inspiram as pessoas. E foi o que aconteceu.
A GAZETA foi o primeiro a contar a história, mas logo outros jornais se interessaram pela ideia. A divulgação chegou a nível nacional e acabou se tornando de conhecimento da empresa Gazin, que trouxe o projeto social ‘Cine Gazin’ a Rio Branco após ler a matéria.
A empresa ficou encantada com a história de Raphael Kawêh. Prova disso foi que o garoto foi convidado a ser o embaixador do Cine Gazin no Acre.
Uma carreta toda equipada com sala escura, ar-condicionado e poltronas estacionou na capital acreana e, durante dois dias, quase mil crianças de escolas pública estaduais e municipais puderam assistir a uma sessão de cinema com direito a pipoca e refrigerante. Ao todo, foram realizadas 10 sessões.
Raphael Kawêh me fez lembrar de quanto eu era criança. Tive muitos sonhos. Queria poder ajudar a todos que não tinham o que comer e também salvar os animais abandonados. Dei muita dor de cabeça para a minha mãe, pois levava os bichinhos de rua para casa.
A pureza de uma criança em querer fazer o bem deve ser incentivada. É bom dar notícias como essa e saber que ali tem uma vida que vai crescer, amadurecer e, quem sabe, de fato salvar o mundo. Precisamos de adultos que pensam mais como o Raphael Kawêh. Ajudar é sempre bom.

“A pureza de uma criança em querer fazer o bem deve ser incentivada”

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