Súplica acreana

Postado em 06/07/2016 03:58:03 Gilberto Braga

Olho o Rio Acre e uma lágrima solitária me corre rosto abaixo numa incontida, desesperada e inútil tentativa de ajudapara a recuperação do seu volume de água. Nunca o vi tão seco assim ainda no começo do verão amazônico. Dados da Defesa Civil dão razão ao meu sentimento. Tomando o dia 2 de julho como referência, registramos anos de seca como 2005, com o nível do Rio Acre em 2,41 metros. E daí os registros são todos crescentes, até 2009, com nível de 4,60 metros. Entre 2010 e 2015 – sempre a 2 de julho – variou entre 2,59 metros e 3,52 metros. É do gosto do nosso Rio Acre serpentear enchendo e vazando. Mas ele nunca vazou tanto: 1,90 metro em 2 de julho deste 2016.

A Amazônia é o paraíso das águas. Se secas incomuns têm castigado o Norte, são respostas aos descuidos ambientais na região. Verdade que o Acre valoriza a floresta e tem um projeto de desenvolvimento sustentável. Apesar de tudo, o aviso do Rio Acre é que teremos este ano a seca mais rigorosa já vista por aqui, trazendo com ela o risco de queimadas numa proporção também avassaladora.

O acreano, calejado pelas alagações, se espanta com a seca como o nordestino, calejado pela seca, se espanta com as enchentes. O poeta Gordurinha traduziu isso perfeitamente: “meu Deus, perdoe esse pobre coitado / Que de joelho rezou um bocado / Pedindo pra chuva cair sem parar…”. De tanto sofrer com a seca, alguém pediu para chover, mas chover de mansinho. “Meus Deus, será que o Senhor se zangou / E só por isso o sol arretirou / fazendo cair toda a chuva que há?”, indaga a canção “Súplica cearense”.

O acreano conta com as alagações. Sofremos muitas, nos últimos anos. A do Rio Madeira em 2012, inédita, e tantas do Rio Acre revisitando o seu leito invadido. Também em 2012, Brasileia sofreu uma das mais trágicas alagações de que temos notícia. A cidade ainda se recupera do violento trauma.Estive lá sábado agora e ouvi de uma idosa moradora: “a seca é pior que a alagação, pois às aguas maltratam quem mora perto do rio, enquanto a falta dela vai longe e alcança todo o mundo”.

Na minha súplica acreana, acredito que Deus é quem está pedindo agora para a gente cuidar melhor da sua criação, sem fazer queimadas e usando com sabedoria o fio de água que Ele permitir correr no Rio Acre.

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