Tempos do crime

Postado em 22/10/2016 19:59:50 TIAGO MARTINELLO

Não dá pra negar, leitor, que vivemos dias difíceis. São tempos em que lidamos com facções organizadas, disputas de território por drogas, rebeliões em presídios, cultura de marginais, atentados, ignorância, corrupção de agentes da lei, banalização da vida e empoderamento de chefões do tráfico. O cenário causa medo e insegurança. Como se estivéssemos imersos em um mar de violência ora explícita, ora latente, com a sensação de impotência diante dela.

As guerras contra o terror que víamos pela TV nas favelas do Rio de Janeiro e outros grandes centros urbanos respingou no nosso Acre, uma terra até então pacífica (salvo um ou outro caso obscuro da nossa história). Chegou com proporções diferenciadas, porém, intimidadoras.

Não podíamos esperar um cenário diferente. Essa era uma tragédia anunciada. A questão da criminalidade no Brasil se tornou um problema gravíssimo. Enquanto fechávamos os olhos e tentávamos empurrar a sujeira pra baixo do tapete, esse problema só cresceu, se fortaleceu e se organizou. E não é de hoje que essa bola de neve ganhou ‘corpo’. Portanto, os obstáculos necessários para freá-la e o calor necessário pra derretê-la não serão achados da noite para o dia.

Esses são os dias em que vivemos hoje. Precisamos nos acostumar com ele? Não, porque eles não estão certos. Ter cautela é fundamental. Saber o momento delicado em que estamos passando é uma das maiores armas que temos para atravessá-lo com segurança. Isso e acreditar, colaborando com o bom trabalho que as polícias e demais forças de segurança do Estado estão fazendo. Mesmo que pareça que estamos em desvantagem por facções usarem do caos e da anarquia, enquanto a polícia tem que jogar conforme regras, ainda assim venceremos.

Espalhar mentiras, ampliar a repercussão de boatos mentirosos ou dar informações falsas para as forças policiais atrapalha muito. Vamos evitar isso.

Pessoas de bem não podem perder sua honra e integridade diante daqueles que escolheram usar das brechas de leis para fazer o errado. O crime não compensa.

Matar ou ferir alguém não é e nem nunca vai ser uma filosofia de vida aceitável. E não precisamos de lei, justiça, religião ou motivações para tomar ciência disso.

Precisamos, sim, rever a nossa situação, nossas leis, nosso sistema prisional, nossas políticas públicas, nossa comunicação com as polícias para nos preparar melhor.

O medo não pode nos amordaçar. Vamos passar por este momento turbulento, sabendo que outros virão. Nestes intervalos, o Acre não pode parar. Devemos viver com o zelo da cautela, mas não podemos ser reféns do pânico e do temor pela expectativa da próxima crise de insegurança.

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