Um lampejo de esperança

Postado em 17/12/2016 18:34:21 TIAGO MARTINELLO

Heroico. Realmente não há palavra melhor para descrever a ação do policial que decidiu por em risco a sua própria vida para salvar a de uma mulher que ele nem conhecia, mas que estava sendo vítima de um assalto, na última quinta-feira, 15. Mais do que um ato de pura coragem, tratou-se de um retrato perfeito do lema de proteger.

O policial estava de folga. Mas a ausência da farda não foi empecilho o suficiente para impedi-lo de fazer o que é certo, ante uma situação que podia ser, quem sabe, o pior momento de alguém. Ele se impôs, conforme fora treinado para fazer, e tentou subjugar um criminoso não atirando de imediato, e sim como manda o regulamento: dando-lhe, primeiro, voz de prisão. Ou seja, uma chance para se render.

O ato do policial teve uma consequência fatal. A ordem de prisão foi desobedecida. O assaltante decidiu reagir. Fez a péssima escolha não só de trilhar o caminho do errado, mas também o de sair disposto a matar ou morrer. Acabou se deparando com a pior das opções, e a que muitos fora da lei soberbamente ignoram: a da morte. E uma morte inglória, pois o seu papel no fato, perante a toda a sociedade, foi a do vilão. Aquele que ninguém chora por sua tragédia. Pelo contrário, a comemora.

Mas o preço da bravura teve um preço. E foi alto. O policial militar foi baleado no fogo cruzado, e teve que ser internado em estado gravíssimo. Atualmente ele segue em observação, mas acredita-se que ele vai sair dessa sem nenhuma sequela.

Agora o Acre inteiro espera e ora para que este policial consiga se recuperar. Como não desejar que alguém que toma um tiro por outra pessoa não esteja aí pelas ruas para nos proteger do próximo bandido disposto a passar dos limites?

Um gesto tão altruístico como esse resgata nas pessoas valores deixados de lado diante dessa onda de ataques e de homicídios que parece não ter fim, em meio a estes conflitos de facções criminosas. Devolve no olhar de crianças a admiração pela figura do policial, a mesma que a sociedade muitas vezes insistiu em diminuir ou em desprestigiar.

Apesar dessa fagulha de esperança, o salvamento heroico também não pode nos fazer esquecer de uma grave preocupação. Nos últimos dias, foram registradas em Rio Branco muitas ocorrências entre policiais e bandidos com troca de tiros, culminando geralmente na morte do criminoso. Para a sociedade, essa é a ideia de um ‘final feliz’. Só que, saindo do mérito na questão de ser positiva ou não tais mortes, fato é que bandidos estão mais dispostos ao extremismo. A colocar em risco suas vidas, bem como a dos policiais.

Esse é o x da questão. A sociedade precisa voltar a acreditar que o crime é ruim, sim. É terrível. Mas é um mal que pode ser controlado. As pessoas precisam voltar a acreditar que, mesmo jogando conforme as regras, o policial é capaz de vencer o bandido no final. E precisa, principalmente, munir o policial com mais do que uma arma e a incerteza se vai voltar vivo pra casa. É preciso muni-los com apoio, amparo, confiança e, sobretudo, com leis mais capazes de garantir o dever de proteger e servir.

editorial

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