VADE RETRO – Jornal A Gazeta

VADE RETRO

O papa Francisco idealizou a Fundação Pontifícia Scholas Occurrentes para promover a educação inclusiva, a tolerância e a paz pelo encontro de escolas e de jovens de diferentes nações e culturas. Na sua santa teimosia para melhorar o mundo, confunde uma vez mais utopia e milagre. Claro que edificação tão desafiante exige dinheiro. Mas Francisco tem coerência para lembrar que um fim realmente bom não se pode fazer por qualquer meio nem a qualquer custo. Tanto é assim que ele fez a Scholas Occurrentes recusar uma doação do governo argentino no exato valorde 16 milhões e 666 mil pesos. Cerca de 4 milhões de dólares.

O presidente Maurício Macri mandou fazer a doação. E deu publicidade. Logo correu mundo a notícia do “apoio” do Governo da Argentina à Scholas Occurrentes. Até a Rádio do Vaticano noticiou. Mas ao ser informado da novidade, o papa argentino mandou os dirigentes da fundação comunicar a recusa.

Há grandeza e simbologia no gesto de Francisco. Aceitar tal doação faria parecer descaso da Igreja e do papa em relação a grave crise que penaliza a população do seu próprio país.

O presidente Macri nunca comungou com a atenção social que o papa, ouo então bispo Jorge Bergoglio buscava para os argentinos mais pobres. A súbita generosidade macrista gerou desconfiança de assédio político, talvez a tentativa de comprar a simpatia do Papa para um governo cada vez mais impopular.

Macri assumiu a presidência da Argentina acusando a ex-presidente Cristina Kirchner de populismo e corrupção. Prometia botar o país rapidamente nos trilhos e obter “pobreza zero”. Mas sacrificando programas sociais em favor dos interesses do mercado,nos seus três primeiros meses de governo jogou 1,4 milhão de trabalhadoresna pobreza, que passou a afetar 34% da população de 40 milhões de argentinos, segundo estudo da Universidade Católica.

O governo liberal argentino do qual o Papa quer distância serve de modelo para Michel Temer, que na sua interinidade na Presidência do Brasiltambém fala de populismo e corrupção para confundir e justificar a troca do compromisso popular da presidente Dilma pelos interesses do mercado.

A América Latina testemunha fatos espantosos, como o presidente da Argentina oferecer à Igreja Católica uma doação marcada pela cifra 666, o número da Besta. Por sorte, nossos hermanostêm lá alguém com a coragem de gritar: “vaderetro!”.

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