Valioso patrimônio

Postado em 09/01/2017 22:55:59 BRENNA AMÂNCIO

O ano era 2010. Eu estava muito contente com o novo estágio na Biblioteca da Floresta. Nesse período, ainda era acadêmica de Jornalismo e precisava do máximo de experiência no meu currículo possível.

Tive como orientadora a excelente jornalista Fernanda Birolo. Foi ali também que fiz boas amizades e tive a honra de trabalhar ao lado de pessoas como Elson Martins e Marcos Afonso. Tudo bem que minha sala ficava em um andar diferente e bem no fundão do prédio, quase que escondida, mas, sempre que eu tinha a oportunidade de esbarrar com um deles, sentia um sopro de inspiração na minha vida profissional, que ainda começava a engatinhar.

Era uma turma boa de estagiários. Nós éramos a maioria na Biblioteca da Floresta. Nosso trabalho impulsionava o dia a dia no local.

A todo o momento, chegavam pessoas para conhecer, estudar ou apenas passear na biblioteca mais charmosa do Acre. Alguns voltavam tantas vezes lá, que a gente aprendia o nome e fazia amizade. Era legal. Não parecia mesmo um trabalho. Era vida.

No entanto, a maior preciosidade da Biblioteca da Floresta está em seus acervos e exposições. De Chico Mendes às tribos indígenas. Dos seringueiros aos varadouros refeitos nas escadarias. Da história dos nossos antepassados à modernidade representada na arquitetura do local. Tudo era mágico, deslumbrante, encantador.

Às vezes, eu ficava até bem depois do meu horário só para respirar um pouco mais daquela boa energia. Vivia me voluntariando a serviços adicionais para conhecer mais do Acre contado tão bem em cada centímetro daquele espaço.

Foi um ano incrível! Imagina a minha emoção ao ser designada para escanear as páginas do jornal Varadouro! Elson Martins tinha todas elas e quis contribuir com as pesquisas futuras. E eu estava ali para ajudar.

Talvez, por ter vivido tão de perto toda a essência da Biblioteca da Floresta, eu tenha me entristecido ao vê-la fechar inúmeras vezes por falta de manutenção. Passado meses e anos após a minha saída de lá, eu via notícias e postagens nas redes sociais de pessoas lamentando a situação no qual a biblioteca se encontrava.

Apesar das dificuldades, ela resistiu. Minha amiga, um grande baú da história do Acre e de toda a Amazônia, não se deixou desaparecer.

E é com muita alegria que recebo a notícia de que ela será revitalizada. Em recurso angariado por meio de ações do Programa de Saneamento Ambiental e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser), junto ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), serão destinados cerca de R$ 7,5 milhões para a construção da sede do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural e aquisição de seus mobiliários e equipamentos, além da reforma de 16 espaços culturais. E a Biblioteca da Floresta está entre os prédios beneficiados.

Muito justo.

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