Veja o Acre, velho Nunes

Postado em 05/10/2016 23:10:11 * GILBERTO BRAGA

Preconceituoso. Arrogante. Desrespeitoso. Discriminador. Difícil não adjetivar, mais difícil saber qual adjetivo define apropriadamente os insultos dirigidos ao Acre e aos acreanos pelo velho jornalista Augusto Nunes, este servidor da mídia grande ora de plantão na revista Veja. Perolando na coluneta “1 minuto com Augusto Nunes”, em Veja.com, ele afirma que o povo do Acre “precisa recuperar o juízo”.

A reação de Nunes à reeleição em primeiro turno do prefeito Marcus Alexandre, expressa o exercício de um jornalismo velho, ultrapassado e clubista. Mostra que ele, Nunes, não conhece o Acre, nem Rio Branco e muito menos o prefeito reeleito Marcus Alexandre. O jornalista de Veja simplesmente não admite que o PT possa eleger um prefeito, muito menos reeleger, e muito menos em uma capital de Estado. Em primeiro turno, menos ainda.

Preconceituoso, Nunes acusa o Acre de atrasado. “Último reduto do petismo”, diz em tom pejorativo. Mas se o Acre é um dos três últimos estados brasileiros que conseguem manter uma relação positiva na geração de empregos, então que seja “último reduto” de boa governança, ética na política e compromisso social.
Arrogante, Nunes se pretende clarividente, superior, mais um juiz acima dos direitos democráticos para afirmar que o povo do Acre “precisa tomar juízo”.

Desrespeitoso, Nunes cita o governador Tião Viana e o condena por petista. Não importa que os governos petistas tenham reduzido a extrema pobreza no Acre de mais de 26% para 10% da população. A Marcus Alexandre, ele sequer concede a atenção primária do jornalismo – ouvir os dois lados da notícia. O trabalho do prefeito tem aprovacão Ótima e Boa de 65% da população, outros 30% de Regular, mas Nunes “desaprova” a gestão de Marcus Alexandre porque, claro, é do PT.

Finalmente, sua augusta soberba desrespeita todo o eleitorado que reelegeu o prefeito em primeiro turno, chamando-o de desajuizado e atrasado.

Augusto Nunes trai o ódio com que certas elites políticas e econômicas estão dividindo o Brasil. Ele discrimina o Acre sem nenhum pudor. Afirma que os acreanos “confirmaram que estão sempre em descompasso com o restante da Nação”. E segue: “até domingo, por causa da diferença de fuso, o Acre ia dormir duas horas mais cedo que o Brasil”. Ora, a guiar-se pela hora oficial do Brasil, o Acre dormiria duas horas mais tarde e acordaria duas horas mais cedo que São Paulo, exatamente ao contrário do que afirma o velho jornalista de Veja. Mas este é um tropeço comum dos que não gostam de quem é preto, pobre ou mora longe.

Gilberto Braga de Mello
é jornalista e publicitário.
E-mail: giba@ciaselva.com.br

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