Vizinhos desconhecidos

Postado em 20/10/2016 23:42:52 BRUNA MELLO

Até meus sete anos eu morava na fazenda, onde a todas as pessoas das redondezas se conheciam. Apesar da distância entre uma fazenda e outra, a relação entre os vizinhos sempre foi boa. Meus pais e eu sempre estávamos perambulando pelas casas dos amigos.

Na hora da urgência e imprevistos não tinha erro: o vizinho sempre nos socorria. Uma xícara de açúcar, de sal, café emprestado, nunca foi problema. Pelo contrário, era algo natural a convivência do dia-a-dia. Quando faltava tempo de dar um pulo na cidade, batia-se na porta do vizinho mais próximo.

Quando vim morar na cidade estranhei a cordialidade entre os vizinhos. Eu achava tudo muito distante e formal demais. O tempo passou, eu cresci, meus pais se separaram, e eu virei a “dona de casa”. E, para minha sorte, fiquei com a herança cultivada pela minha mãe, a amizade com os nossos vizinhos, que eu nunca havia notado.

Não tem ninguém gritando para baixar a música, chamando a polícia ou denunciando qualquer situação. Todos fazem exatamente o que querem sem invadir a privacidade e descanso do outro. Pasmem, a liberdade é tanta que ainda pedimos emprestado uma xícara de açúcar, sal ou café, sem rodeios.

Porém, o objetivo desse artigo não é falar da minha sorte, mas sim dos problemas entre os vizinhos desconhecidos, que moram anos um ao lado do outro e nunca sequer trocaram um bom dia.

Com a insegurança atual e correia diária da vida adulta, muitas pessoas tem preferido não se relacionar. O problema é que essas pessoas não entendem que perdem a oportunidade de sempre ter alguém por perto para “socorrer” em um momento difícil. Já pensou estar sozinho em casa, sentir uma dor muito forte e não ter pra quem pedir ajuda?

Por isso, sejam legais com seus vizinhos, por mais que eles não sejam. Desejar o mau ao próximo nunca fez ninguém feliz. Se você tem a quem desejar um bom dia na casa ou apartamento ao lado, provavelmente seu dia começará mais feliz. Não esqueça, vizinho rabugento tem cura sim!

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