A lição da família Firmino

Em virtude do alto grau de hediondez, tendo a vítima braços e pernas amputados, seja a golpes de facão – como restou comprovado em laudo pericial e no próprio depoimento de Hildebrando Pascoal, que atribuiu a autoria ao falecido Alípio Ferreira – seja por utilização de motosserra, como entenderam os jurados, a maioria das pessoas que foi ao fórum Barão do Rio Branco, acompanhar os julgamentos dos acusados de matar o mecânico Agilson Firmino dos Santos, “Baiano”, esperava se confrontar com depoimentos carregados de ódio por parte da família da vítima.

Ao contrário disso, a família Firmino se limitou a revelar em juízo tão somente o que de fato sabia acerca do crime. Evanilda, Eder e Emanoelle, viúva e filhos de “Baiano” poderiam ter dito qualquer coisa, poderiam ter incriminado diretamente todos os membros da família Pascoal, a começar por Hildebrando, mas não o fizeram, foram fiés aos fatos, às suas convicções e à justiça. Excessos foram registrados em muitos momentos do júri, mas eles se mantiveram serenos e em nenhum momento se deixaram guiar pelas emoções.

Lágrimas. Sim, todos eles derramaram. Não era de se esperar outra coisa por parte daqueles que saíram do Acre fugidos, deixando para trás dois corpos mutilados, sem a chance de sequer identificá-los. As identificações dos cadáveres de Baiano e do filho Wilder Firmino, só foram realizadas agora, 13 anos depois, através se fotografias mostradas em juízo.

Com exceção de Aureliano – identificado como o capitão que conversou durante uma barreira policial com Ivanilda – nenhum outro membro da família Pascoal foi reconhecido pelos Firmino. Volto a dizer que eles poderiam ter dito qualquer coisa, poderiam ter embarcado no depoimento de algumas testemunhas e apontado os Pascoal como os matadores de Baiano e Wilder, mas não traíram suas consciências, mesmo diante a possibilidade de deixar impunes os responsáveis pela morte de pessoas tão queridas.

Aqueles que, durante anos, tentaram se promover perante a opinião pública, através deste crime, deveriam se envergonhar perante a honradez desta família. De forma discreta e silenciosa eles exaltaram os nomes de suas vítimas perante a sociedade acreana, demonstrando que Baiano pode até ter se envolvido com bandidos, como José Hugo, mas que sua família é honrada e a forma covarde como ele foi assassinado não mudou isso.

Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

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