Nós amanhã

Impossível não se comover com o drama de um idoso de 94 trazido a público pelos jornalistas Rutemberg Crispim e Edvaldo Souza, no último final de semana. A bordo do batelão “Viva Deus”, Anísio da Costa Marruchi, contam os jornalistas, protagoniza uma das mais tristes histórias que o Acre já conheceu.

Isolado, maltrapilho, faminto, doente, enfim, não é necessário que entremos em muitos detalhes acerca do caso, haja vista que, com certeza, a maioria da população já tomou conhecimento através das reportagens dos dois jornalistas. Uma história real, registrada a duas horas de barco de Rio Branco, navegando pelas águas do Rio Acre.

Também na semana passada, aqui bem próximo de nós, a imprensa trouxe à tona o tratamento desumano que estava sendo dispensado aos idosos que vivem no Lar dos Vicentinos. Na oportunidade, duas idosas que estavam em cárcere privado foram libertadas pelo Ministério Público.

Outros casos de maus-tratos e omissão envolvendo o idoso podem ser conferidos diariamente através de uma simples leitura do Diário Oficial do Estado, onde são publicadas as portarias do MP.

E instaurando procedimentos investigatórios para apurar a responsabilidade dos denunciados. Por mais cruel que pareça os acusados são as pessoas mais próximas do idoso. Aquelas, que a priori, deveriam protegê-las.

Diante de casos como estes, lágrimas de emoção e comentários revoltados não bastam. É necessário que encaremos a realidade como se fossemos “nós amanhã”. Só assim, talvez, possamos sentir a real dimensão da problemática envolvendo nossos idosos.
Situações conhecidas por nós, às vezes registradas no seio da própria família, mas que acabamos deixando prá lá, como se não tivesse nada a ver com a gente. Façamos como o senhor Antônio Saad, aquele funcionário público de 65 anos, relatado pelo meu amigo Gutemberg Crispim.

A primeira iniciativa que ele teve ao descobrir o seu Anísio abandonado dentro de uma velha embarcação no Rio Acre foi retornar à cidade e pedir ajuda. Saad fez a sua parte. Gutemberg Crismpim e Edvaldo Souza também. Que tal fazemos a nossa também? O Anísio de amanhã pode ser qualquer um, inclusive você.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

 

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