Conheça a ti mesmo

Quando indagado sobre o caminho para o conhecimento universal o filosofo grego, Sócrates, respondeu: “Conheça a ti mesmo”. Quem contempla o próprio interior é capaz de desvendar o mundo exterior com sabedoria. Conhecer a si mesmo é ter contato com a centelha divina que faz os seres humanos diferenciados no reino natural. Não há como evoluir filosoficamente e espiritualmente sem o autoconhecimento.

Por isso, a iniciativa da Aleac de promover as Assembléias Abertas é muito importante. Integrar o Acre através do parlamento é um mecanismo evolutivo que poderá resultar numa mudança de paradigma no Estado. Traduzindo, a troca de experiências entre os políticos, a contemplação dos problemas, sobretudo, das comunidades do interior pode gerar uma nova maneira de condução das gestões tanto municipais como estaduais. É uma forma de expor as feridas sociais a céu aberto sem querer esconder a realidade para gerar as soluções. As Assembléias Abertas são oportunidades para o Acre contemplar o seu próprio interior. Reconhecer as suas dificuldades e criar iniciativas de transformações.

Logo que cheguei ao Acre, o Sibá Machado, na época senador, me falou que no Estado os em-preendimentos públicos giravam em torno das eleições. Vamos fazer isso ou aquilo depois de calcularmos quantos votos virão. Isso, infelizmente, acontece em todos os níveis e em todos os lugares do Brasil. O deputado só enceta uma ação que poderá lhe render dividendos eleitorais futuros. A eleição acaba se tornando o fim e não o meio como deveria ser. É claro, os cargos eletivos são ocupados para os políticos representarem a população e não para os interesses próprios como acontece na maioria dos casos. Alguns querem se perpetuar numa posição de poder muito mais para não perder o status social e a manutenção da própria vaidade do que para dar uma resposta positiva às necessidades da sociedade. É um erro grave que traz como conseqüência inicial um descrédito da classe política. Adiante vem o sofrimento das comunidades que vai se eternizando por falta de ações com foco acertado e necessidade definida. Asfaltam o céu, mas esquecem de tampar o buraco da rua para o cidadão não tropeçar.

Ouvir as comunidades para saber as suas reais necessidades foi uma atitude louvável dos deputados acreanos capitaneados pelo presidente da Aleac, Edvaldo Magalhães (PCdoB). Uma atitude que aproximou o nosso Parlamento das pessoas comuns que tem a oportunidade de falarem dos seus dramas sociais seja no Jordão, em Cruzeiro do Sul ou em Santa Rosa do Purus. Agora, se o aproveitamento desse conhecimento será utilizado pelo Governo do Estado para minimizar o sofrimento dessas populações isoladas já é outra história. Mas de qualquer maneira quando se mexe com certas verdades não há mais retorno. Vou torcer para um final feliz onde o Legislativo e o Executivo possam falar uma mesma linguagem que o povo possa entender com clareza.

* Nelson Liano é jornalista
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