O modelo florestal

Com a proximidade das eleições, de 2010, um dos temas que certamente será mais discutido é o modelo de desenvolvimento econômico do Acre. Há 10 anos a prioridade estabe-lecida foi para o desenvolvimento florestal. Alguns setores políticos da so-ciedade acreana questionam a opção. Mas se fizermos uma reflexão profunda sobre o assunto poderemos fazer algumas indagações. Será que o modelo anterior, que perdurou por mais de 40 anos, com a pecuária como carro-chefe era melhor do que o atual? Naquela época circulava mais ou menos dinheiro no comércio do Estado? Com o modelo florestal a infra-estrutura interna melhorou ou piorou? O Acre cresceu ou regrediu no seu desenvolvimento social e econômico durante o período do modelo atual? 

As perguntas devem ser respondidas com veracidade. A história é implacável no julgamento das conseqüên-cias das ações políticas desencadeadas pelos representantes da população sejam parlamentares ou executivos. É preciso levar em consideração que o modelo de desenvolvimento social e econômico florestal é ainda muito novo. Além disso, constitui-se um diferen-cial do Acre em relação a outros lugares do mundo. Ninguém poderia imaginar que no século XXI se copie paradigmas desen-volvimentistas que criaram mega-lópoles insalubres e poluídas como São Paulo, Nova York e Tóquio. A industrialização irracional trouxe como herança uma série de mazelas e doenças sociais que perdurarão por algumas gerações.

O Acre está tendo a chance de encontrar um novo caminho para o seu desenvolvimento no coração de uma das regiões essenciais para a sobrevivência humana no Planeta que é a Amazônia. Ninguém irá me convencer que a derrubada de milhões de hectares de floresta virgem para a plantação de soja e a criação de gado possa trazer uma melhor qualidade de vida para os acreanos. No entanto, as atividades agropecuárias podem ser perfeitamente otimizadas, mas em áreas já degradas que poderão ser recuperadas pelas novas tecnologias.

Muito se fala da necessidade da geração de empregos. Mas é preciso saber para quantas pessoas a produção da soja e do gado oferecem oportunidades? Concordo que ainda existem falhas no modelo adotado pelo Estado. Mas ninguém pode negar que há um esforço para solucionar a equação que contrapõe a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico. É possível se estabelecer um padrão de industrialização e exploração de matérias-primas florestais que abram novas possibilidades de oportunidades para a população acreana sem a degradação ambiental. Estamos atravessando uma das etapas iniciais do modelo florestal ainda em construção. O fato é que a maior riqueza do Acre é a floresta. Por isso, é preciso unir e qualificar os mais diversos setores da nossa sociedade para o aperfeiçoamento do modelo vigente. Assim dá para sonhar com uma distribuição de renda e de oportunidades equânimes num futuro muito próximo.

* Nelson Liano é jornalista
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