A índole humana

Desde criança ouço dos mais velhos o “dito” que a índole do homem é ser bom. Ao longo dos poucos 38 anos de vida tenho que discordar um pouco deste conceito. Principalmente pelo que temos acompanhado nos últimos anos, com a violência imperando nos quatro cantos da cidade.

Uma mistura entre o crescimento de nossa Capital, aliada a falta de opções de crescimento na geração de empregos, juntamente com uma Legislação que parece ter sido criada para proteger apenas os bandidos, sejam os de galinha, de banco ou do colarinho branco.

Não. Não penso que a índole do ser humano é ser bom, mas sim má. Quando você retira de um ser humano todas as “regras do jogo”, sem uma lei atuante, o homem passa a ser um animal de seu meio, vivendo dos instintos, matando e tentando sobreviver. É preciso que as leis funcionem para que a tal anunciada “boa índole” venha a funcionar.

A maior parte da sociedade moderna prefere viver dentro dos códigos, dentro das normas, pagando seus impostos, obedecendo as leis, vivendo pensando nas três etapas da vida: nascer, crescer e morrer, se possível plantando uma árvore, tendo um filho e escrevendo um livro, para não ter passado em branco nesta Terra.

No entanto, uma pequena minoria prefere viver de seus instintos. Acredito, inclusive, que se um psicólogo fizer uma pesquisa muitos cidadãos de bem gostariam de sair de suas carapuças, transgredindo alguma lei. E (peço desculpa aos muitos amigos que tenho) os pilotos de moto devem pensar estarem acima das leis do trânsito, podendo ultrapassar a qualquer hora o sinal fechado, parar em cima da faixa de pedestre, andar na contramão e outras transgressões que no momento, na pressa da redação, não consigo me lembrar.

Agora, no final do ano, com o famoso “in-puto” de Natal, venhamos a conhecer algumas dessas pessoas que não concordam com as regras do restante da sociedade. Tenho muitos amigos que afirmam preferir viajar no final do ano para algum local bem distante da sociedade, pois no Brasil inteiro, em grande parte pela incompetência das autoridades, por não ter espaço nos presídios para tanto bandido, preferem soltar e deixar o “pepino” para a sociedade.

E você? Acredita em obedecer as regras ou prefere seguir o instinto?

Ramiro Marcelo é jornalista.
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