Ansiedade: dependendo do grau ou freqûência pode se tornar patológica

Ansiedade é um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos que pode estimular o desenvolvimento humano. Ela se torna um distúrbio quando se mostra desproporcional à situação que a origina, ou quando não existe um motivo específico para o seu surgimento.

Algumas teorias tentam explicar a origem da ansiedade, sendo que nenhuma delas está definitivamente comprovada. De acordo com a maioria dos autores são três as teorias mais comentadas:

A primeira é que a ansiedade poderia ter uma origem genética, ou seja, a pessoa herda de seus ancestrais uma pré-disposição para ter estes sintomas. Nestes casos as manifestações podem ser bastante precoces, sendo a pessoa desde cedo uma criança agitada, às vezes hiperativa, que chora com facilidade e às vezes até com dificuldade de dormir. A ansiedade precoce também pode se manifestar através da avidez de mamar e numa postura mais teimosa e possessiva ainda como criança.

A segunda é uma infância carente e problemática onde as dificuldades dos pais, mas principalmente da mãe de passar afeto e suprir as carências afetivas da criança, vão fazendo com que ela vá se sentindo insegura e exposta e vá gravando e condicionando um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.

A terceira é a dificuldade de incorporar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas. O velho ou conhecido sempre traz a sensação de segurança e controle. O novo por sua vez tem a capacidade de potencializar a sensação de medo no sentido de que algo ruim ou perigoso pode vir à acontecer.

Traumas de infância, grandes sustos, perdas afetivas ou mesmo materiais também podem desencadear quadros ansiosos importantes, mas não chegariam a ser causas específicas. Porém, sabe-se que, a tentativa de se livrar deste mundo de sensações e sentimentos, que tenha características desequilibradas, desajustadas, são causadoras da ansiedade patológica.

SINTOMAS
As respostas que damos a uma situação de perigo real ou imaginário podem ser analisadas a três níveis: cognitivo (o que pensamos?); fisiológico (o que sentimos?); e comportamental (o que fazemos?).  Assim, devemos ter atenção aos sinais que o nosso organismo emite, de acordo com estas três áreas.

Para observar a presença da Ansiedade Patológica é necessário que pelo menos sete destes sintomas sejam identificados: tremores ou sensações de fraqueza, tensão ou dor muscular, inquietação, fadiga fácil, falta de ar ou sensação de fôlego curto, palpitações, sudorese, mãos frias e úmidas, boca seca, vertigens e tonturas, náusea e diarréia, rubor ou calafrios, aumento do número de urinadas, bolo na garganta, impaciência, resposta exagerada à surpresa, dificuldade de concentração ou memória prejudicada, dificuldade em conciliar e manter o sono irritabilidade.

ANSIEDADE PATOLÓGICA
A ansiedade patológica é um estado caracterizado pelo medo, apreensão, mal-estar, desconforto, insegurança, estranheza do ambiente ou de si mesmo e muito freqüentemente sensação de que algo desagradável pode acontecer, também vem acompanhada de sinais somáticos como: sensação de falta de ar, respiração curta, aperto no peito, ondas de calor, calafrios, formigamento, náusea e tremores.
Em outras palavras, a ansiedade patológica é uma questão de quantidade, e não de qualidade. É um determinado grau de ansiedade que passa a ser evidenciado por sintomas de sensação dolorosa e desconfortável, como um mecanismo de alarme.

A ansiedade é patológica quando deixa de ser útil e passa a causar sofrimento excessivo ou prejuízo para o desempenho da pessoa, a exemplo do transtorno do pânico que é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica.

O transtorno de ansiedade patológica costuma ser crônico, duradouro e com pequenos períodos de remissão dos sintomas. O paciente geralmente sofre com o estado de ansiedade elevado durante anos. A ansiedade pode ceder espontaneamente em alguns casos e não há meios de se prever quando isso acontecerá.

A ansiedade patológica prejudica o indivíduo, compromete seu bem-estar e seu desempenho e dificulta sua preparação para enfrentar adequadamente situações ameaçadoras do cotidiano.

TRATAMENTO
A maioria dos pesquisadores sugere que os tratamentos mais efi-cientes para os transtornos de ansiedade compreendem:

Terapia comportamental cognitiva – é uma forma de psicoterapia onde se ajuda o paciente a ter consciência dos mecanismos de funcionamento do seu temor e a mudar os padrões de pensamentos para reduzir e lidar melhor com as ansiedades e os medos.

Medicação – vários medicamentos encontram-se disponíveis para aliviar os sintomas de ansiedade sendo os mais empregados os antidepressivos e os ansiolíticos benzodiazepínicos.
Terapia combinada – uma combinação de medicação e terapia comportamental cognitiva.

Biofeedback – técnicas para aumentar o controle da ansiedade através da medição das respostas físicas, tais como tensão muscular ou freqüência do pulso (a freqüência do pulso dá uma indicação da freqüência em que o coração está batendo, seu coração tende a bater mais rápido quando você está ansioso).

VALE LEMBRAR QUE…
Exercícios físicos regulares liberam substâncias como as endorfinas, que aumentam a disposição geral, trazem sensação de bem-estar, reduzem o estresse diário e ajudam a diminuir a tensão e a ansiedade.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Ministra as disciplinas Enfermagem Psiquiátrica no Curso de Enfermagem e Políticas de Saúde Mental nos Cursos de Pós-graduação. Autora do livro “A Reforma Psiquiátrica da Florestania no Contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira”.

Assuntos desta notícia


Join the Conversation