Barbeiro: um inseto que transmite Doença de Chagas

O nome científico da doença de Chagas é Tripanossomíase americana ou brasileira. Uma pessoa geralmente contrai a Doença de Chagas quando é contaminada pelas fezes de um “barbeiro” portador de um micróbio, o Trypanosoma cruzi que, circulando pelo sangue da pessoa, irá penetrar e produzir lesões em órgãos importantes como no coração, esôfago e os intestinos, causando uma série de sintomas da doença.

O barbeiro é um inseto da subfamília Triatominae que tem preferência por locais próximos à sua fonte de alimento. Tem hábito noturno e vive em frestas de casas de pau-a-pique, camas, colchões, depósitos, ninhos de aves, troncos de árvores, dentre outros locais.

Em aproximadamente 20 dias após a sua primeira e última cópula, a fêmea libera, em torno de 200 ovos, que eclodirão em mais ou menos 25 dias. Após o nascimento, estes pequenos seres sofrerão mais ou menos cinco mudas até atingirem o estágio adulto, formando novas colônias.

TRANSMISSÃO
O homem adquire a infecção através da penetração na pele e mucosas das formas de Trypanosoma cruzi eliminadas junto com as fezes do barbeiro. Em geral, o inseto evacua logo após picar uma pessoa ou animal.

Esses trypanosomas, atingindo a circulação, podem invadir células dos mais variados tecidos, nas quais se reproduzem rápida e intensamente.

De acordo com a equipe do Brasil Escola ao sugar o sangue de um endotérmico com a doença, este inseto passa a carregar consigo o protozoário. Ao se alimentar novamente, desta vez de uma pessoa saudável, geralmente na região do rosto, ele pode transmitir a ela o parasita.

Este processo se dá em razão do hábito que este tem de defecar após sua refeição. Como, geralmente, as pessoas costumam coçar a região onde foram picadas, tal ato permite com que os parasitas, presentes nas fezes, penetrem pela pele. Estes passam a viver, inicialmente, no sangue e, depois, nas fibras musculares, principalmente nas da região do coração, intestino e esôfago.

A transmissão pode também ocorrer por transfusão de sangue contaminado e durante a gravidez, da mãe para filho.

Notícias veiculada na imprensa, dão conta de que recentemente descobriu-se que pode ocorrer a infecção oral, na qual a doença é adquirida através da ingestão do caldo de cana ou açaí moído contendo, acidentalmente, o inseto. Nestes casos, invasão ativa do parasita, se dá no entender de alguns autores, via aparelho digestivo.

Caindo na circulação, o Trypanosoma cruzi afeta os gânglios, o fígado e o baço. Depois se localiza no coração, intestino e esôfago. Nas fases crônicas da doença, pode haver destruição da musculatura e sua flacidez provoca aumento desses três órgãos, o que causa problemas como cardite chagásica (aumento do coração), megacólon (aumento do cólon que pode provocar retenção das fezes) e megaesôfago, cujo principal sintoma é a regurgitação dos alimentos ingeridos.

SINTOMAS
Febre, mal-estar, falta de apetite, dor ganglionar, inchaço ocular e aumento do fígado e baço são alguns sintomas que podem aparecer no início da doença (fase aguda), embora existam casos em que a doença se apresenta de forma assintomática.

Em quadro crônico, o mal de Chagas pode destruir a musculatura dos órgãos atingidos, provocando o aumento destes, de forma irreversível.

PREVENÇÃO E CONTROLE DA DOENÇA
Como não existe vacina para a doença de Chagas, os cuidados devem ser redobrados. Assim, eliminar o inseto transmissor da doença ou mantê-lo afastado do convívio humano é a única forma de erradicar a doença.

Melhorias nas condições de habitação, e uso de inseticidas para eliminar o barbeiro, poderá diminuir significativamente a proliferação da infecção. Outro instrumento importante no controle e prevenção da doença de Chagas é a seleção do sangue doado para prevenir a infecção através de transfusão.

A detecção precoce e tratamento de novos casos, incluindo casos de transmissão congênita, também ajudam no controle da doença.

TRATAMENTO
Dados constantes do site do governo (DATASUS) indicam que até a década de 50 muitos medicamentos foram experimentados contra o Trypanosoma cruzi, mas sem sucesso. Os anos 60 trouxeram fatos animadores com o surgimento de drogas mais ativas, a exemplo dos nitrofuranos. Dentre os nitrofuranos, o mais efetivo foi o Lampit, que realmente levou à cura vários casos agudos e mesmo de alguns crônicos, trazendo esperanças não só aos doentes, mas à comunidade científica. Posteriormente, surgiu outro fármaco, um derivado imidazólico denominado Rochagan, considerado um pouco mais efetivo.

Sempre indicado para ser feito por médico, o tratamento exige cuidadosa atenção para adequação da dose do medicamento e também para o manejo dos efeitos colaterais.

Ainda conforme o DATASUS, no caso do Lampit as principais reações compreendem: perda de apetite, emagrecimento, irritabilidade e alterações temporárias de comportamento. Já para o Rochagan, as reações adversas registradas são: na pele (semelhantes à urticária), alterações digestivas, neurite e diminuição de glóbulos brancos no sangue. Em alguns pacientes, tais reações são tão intensas que levam os médicos a suspender o medicamento.

IMPORTANTE
Contudo, novos medicamentos se encontram em observação e alguns deles apresentam resultados mais positivos na forma aguda da doença. São antifúngicos de última geração, que atuam impedindo a síntese de esterois, substâncias importantes para o parasita. Pesquisadores acreditam que tais medicamentos poderão estar no comércio em poucos anos, ampliando o arsenal contra a doença de Chagas.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – CCDS/Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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