OS CONTADORES DE ‘SUAS’ HISTÓRIAS

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É fácil pensar que nosso Acre tenha histórias surpreendentemente fortes, dignas de livros dedicados a elas.

A cada nova matéria ou entrevista que realizava no ACRE S/A, cada novo ‘Perfil do Empreendedor’, eu me tornava diferente. As pessoas iam vivendo suas vidas, mas sempre que suas trajetórias eram interrogadas, começava uma sucessão de emoções incontidas cheias de “foi muito difícil”, acompanhados de “mas graças a Deus”.

Mas dentre todas as informações apreendidas ao longo desse trajeto de cinco anos prospectando histórias e empreendimentos, o que mais me chamou atenção foi o fato de que só prosperou mesmo foi quem focou, mirou, se concentrou e se jogou física e emocionalmente  no sonho, no propósito. Claro que nessas histórias todas há aqueles que tiveram sorte e aquela mítica real de estar no lugar certo, na hora certa.
Também àqueles que não acreditavam no próprio sonho, mas… Tentaram assim mesmo. E ainda há àqueles que desistiram e subitamente, algo milagroso aconteceu.

Não saber o que houve antes de nós é permanecer criança. Não buscar aprender com pequenas situações vividas por um e outro é perder uma parte substancial do seu crescimento e trajetória na terra. O fim depende do início. E todos têm uma linha da vida – analogicamente comparada a uma estrada – que é nosso início, meio e enfim…

Pois bem, nessas minhas andanças nas quais entrevisto  empresários acreanos, “acredotados” ou de tantos outros lugares, vou me permitindo aprender com cada um e, aprendizado, exige atenção.
Um dia convidei seu Osvaldo Dias, empresário que carrega uma história bonita que inclui uma longa jornada de trabalho em família no EXPRESSO ARAÇATUBA. Homem simples e apaixonado pelo Acre, soltou: Mirla, tudo que tenho vou te dar agora!

Meu Pai, pensei eu, o que será que vai acontecer nessa entrevista…

Osvaldo deu um sorriso paterno e ao mesmo tempo agradecido e emendou:  minha história! Ela na verdade é tudo que eu tenho. Mirla, o caráter de um homem é seu destino.

Nossaaaaaaaa!!! No meio da testa! Que palavra… Quanta sabedoria apreendida no provável apanhar dos dias e dias de trabalho, decepções e alegrias. Até lembrei uma frase que ouvi na novela: a alegria é maravilhosa, mas ela não te ensina nada, o que ensina mesmo é a dor. E lá vai mais uma marca na minha história.

Também conheci pequenos sonhadores como dona Sirley. Nunca vou esquecê-la. Cozinha que é uma delícia e faz crochê como ninguém, tendo em casa uma pilha de revistas que a ensinam novas técnicas, nuances de cores, aplicações de pontos e entre – pontos, coisas desse tipo. Nunca me interessei, apesar de ter uma avó que costurou para os filhos e netos boa parte da vida e uma mãe que enveredou pelos caminhos do crochê de barbante. Meu foco sempre foi estar com pessoas… Muita concentração para mim era perda de tempo… não vou mentir. Mas papo sempre foi meu forte.

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Bem, continuando com dona  Sirley, e sendo boa de papo como julgo ser, perguntei antes da entrevista: Dona Sirley, como mesmo que escreve seu nome? Ela sem graça olhou para mim e disse: NÃO SEI!
Eu quase dei uma risada, me pareceu uma brincadeira daquelas “quebra-gelo”.

Como assim dona Sirley? Quero saber se é com ‘s’ou com ‘c’? Mais uma vez ela me disse: NÃO SEI MESMO!

A ficha demorou a cair. Ela calmamente e com aquela leve timidez de quem conta um segredo, solta: EU NÃO SEI LER NÃO. Mas tudo na vida eu sei fazer! Continuou em tom sereno de justificativa.

“Pelo amor”… Meu coração quase parou. Não havia tido uma experiência desse tipo ainda. Ela tinha um monte de revistinha, como fazia então? E ela foi me contando que sempre olha as figuras das revistas e aprende. Quando precisa ler chama um dos filhos, mas na vida aprendeu o que mais precisava e com o artesanato que produzia escrevia a história da sua própria vida. Assim, com toda a simplicidade que se pode ver numa mulher, fui marcada mais uma vez.

O que mais emociona na vida não são  instantes de fabulosas novidades, mas a eternidade da simples descoberta.

Nascemos ouvindo histó-rias e estórias. Umas ensinam, outras nem tanto. Vão desde família, às infantis como “Negrinho do Pastoreio”, “Bela Adormecida” e  tantas outras.

O Mestre Jesus, por exemplo, ensinava através de parábolas (estórias), e tanto cultos como incultos, entendiam a mesma mensagem, ninguém era excluído do retorno emocional que aquela estória poderia gerar e, gerava…

Na caminhada da nossa linha da vida começamos nós a contar histórias: as que vivemos todos os dias, as que inventamos e as dos outros também. Mas quem acredito ser um verdadeiro bom contador de histórias ou um simples ‘colecionador de informações da vida’ é aquela pessoa que faz de cada acontecimento um motivo para procurar o caminho. E é quando estamos sem direção que aprendemos a pedir ajuda…e foi exatamente quem fez o mesmo caminho que pode te dizer como chegar. Pode até demorar mais para um do que para outro, mas uma coisa eu aprendi com tantas histórias e estórias: o melhor caminho conduz a verdade, e a verdade conduz a vida.

Isso sim é viver e ter histórias para contar.

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