O Presidente Responde

Raimundo Nonato Portela, 57 anos, servidor público do Rio de Janeiro (RJ) – Tenho orgulho de ser um servidor público, mas sei que há muita precariedade no atendimento dos contribuintes. Qual o plano de seu governo para a melhoria dos serviços públicos?

Presidente Lula – Em nosso governo, estamos profissionalizando a máquina pública. No ano passado, lançamos a Carta de Brasília da Gestão Pública para a implementação de uma agenda comum de iniciativas com os governos estaduais. Com os concursos públicos, tivemos um aumento no número de servidores, especialmente na Educação, o que é vital para a forte retomada do nosso desenvolvimento. Já substituímos mais de 70% dos trabalhadores terceirizados em situação irregular. A qualificação dos servidores também cresceu. Houve aumento de 26% no número de servidores civis com curso superior. Outras iniciativas apontam para a melhoria do atendimento ao público. É o caso do incremento do programa Saúde da Família, que hoje já atende quase 100 milhões de brasileiros. Boa parte dos resultados não vai aparecer da noite para o dia, mas nós já comemoramos muitas vitórias. Uma delas é em relação às aposentadorias. Depois de décadas de processos arrastados, de filas e humilhações, o cidadão agora consegue obter o benefício em apenas meia hora.

Jefiany Serradilha, 34 anos, estudante de psicologia de Cuiabá (MT) – Onde o Brasil vai parar com as deficiências da educação? Isso não vai influenciar no profissional de amanhã?

Presidente Lula – A qualidade da educação nos preocupa tanto que lançamos, em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com 40 ações. Entre elas, cito a ampliação do acesso dos professores à formação continuada, a instalação de laboratórios de informática em escolas rurais e as melhorias no transporte escolar. Os recursos para a educação básica foram multiplicados por dez. Graças a isso pudemos fixar piso salarial de R$ 950,00 para os professores da rede pública. As metas do PDE estão sendo alcançadas. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica saltou de 3,8, em 2005, para 4,2, em 2007. Outros indicadores nos deixam muito animados: o analfabetismo na faixa de 15 a 17 anos caiu de 8,2%, em 1992, para 1,7%, em 2008; os jovens entre 15 e 24 anos aumentaram a média de anos de estudos, de 6,8, em 1998, para 8,7, em 2008. Para ampliar a oferta de vagas, estamos construindo 14 novas universidades, 104 extensões universitá-rias, fornecemos os meios para 596 mil jovens carentes cursarem universidades particulares e estamos construindo mais 214 escolas técnicas em todo o país.

José Suliênio Lima, 46 anos, administrador de empresas de Goiânia (GO) – Quando vão ser enviados grandes contingentes de militares para proteger a Amazônia? Traficantes, madeireiros, grileiros estão dominando tudo, enquanto os militares estão aquartelados, somente fazendo cursos e mais cursos.

Presidente Lula – A imagem de uma Amazônia abandonada não corresponde à realidade. Nós lançamos, em 2008, o programa Amazônia Protegida, que vai mais do que dobrar o número de pelotões de fronteira do Exército. Hoje, são 21 e entre 2010 e 2018 será investido R$ 1 bilhão para a criação de mais 28 pelotões. Vamos instalar pelo menos uma unidade em cada área indígena para mostrar que as reservas não tornam nossas fronteiras mais frágeis. A Marinha vai aumentar de um para três o número de Batalhões de Operações Ribeirinhas e vai instalar 34 unidades em toda a região. Também está prevista a autorização para que a Força Aérea e a Marinha possam atuar no combate aos crimes transfronteiriços e ambientais. Só o Exército tinha esse poder. Mas a principal função dos pelotões, em grupos de 60 militares por unidade, é o monitoramento, com o deslocamento de Brigadas de Ação Rápida, quando necessário. Para essas operações, estamos investindo cada vez mais em helicópteros, satélites, aviões cargueiros e radares.

 

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