Caneta usada por Jango para assinar lei que elevou Acre à categoria de Estado é roubada

A caneta usada pelo então presidente da República João Goulart, também chamado de Jango, para assinar a Lei 4.070, em 15 de junho de 1962, que elevou o Território do Acre à categoria de Estado, foi furtada de dentro do Memorial dos Autonomistas no final da tarde do último domingo (29). O furto da peça histórica aconteceu quando funcionários colocavam os objetos de exposição dentro dos cubos de vidro espalhados pelo interior do museu.

O Memorial dos Autonomistas não possui câmeras de segurança, portanto não houve o registro de quem praticou o delito. O erro principal foi de a ornamentação do espaço ser preparada com visitantes já no interior do prédio. A falha foi considerada “Grave” pelo Departamento de Patrimônio Histórico do Acre. O furto foi registrado e está sendo investigado pela Polícia Civil, além da abertura de um processo de sindicância interno para apurar a responsabilidade.

“O que conseguimos apurar até o momento é que trata-se de uma falha humana”, diz Suely Melo, coordenadora chefe do Departamento de Patrimônio Histórico. Suely descarta a possibilidade de a caneta ter sido roubada para ser vendida no mercado negro de colecionadores de peças de arte históricas. De acordo com ela, todos os dias após o encerramento das visitações os objetos são retirados e guardados em um local mais seguro.

Na parte de fora do Memorial dos Autonomistas a segurança é realizada por policiais militares da Guarda do Palácio Rio Branco. Segundo a coordenadora, até o final dessa semana o sistema de vigilância por câmeras será instalado no museu. Uma das apostas do governo é uma campanha de sensibilização da sociedade para que a caneta seja devolvida. “Essa caneta tem um valor histórico e patrimo-nial muito mais do que econômico; uma parte da nossa história está ali”, pondera Melo.

O pedreiro Francisco Guiomard de Paula Barbosa, 37, era um dos visitantes do Memorial dos Autonomistas na hora do desaparecimento da peça. Além dele, um grupo de estudantes também lá estava. Francisco Guiomard, que por coincidência tem o mesmo sobrenome do líder do movimento autonomista, o senador José Guiomard dos Santos, se diz vítima de preconceito por ter sido o único revistado pelos funcionários do museu.

Natural de Feijó, mora em Rio Branco há mais de 20 anos. No interior, chegou a cortar seringa. Sem nenhuma qualificação profissional, na Capital trabalha para uma construtora. Para tentar melhorar de vida, desde o ano passado retornou os estudos através do EJA (Educação de Jovens e Adultos). Essa tinha sido a primeira vez que visitou o Memorial dos Autonomistas.

A ida a bibliotecas e museus que contam um pouco da História do Acre passou a fazer parte da rotina de Guiomard. “O professor nos pediu que freqüentássemos mais esses lugares para que nosso conhecimento aumentasse”, diz. Após passar pelo constrangimento, ele procurou uma delegacia de polícia para registrar o fato.

“Eu peço desculpas em nome do Governo do Estado a essa pessoa. Essa atitude [de revistar somente Guiomard] é imperdoável, não podemos responsabilizar ninguém por algo que ainda é investigado”, afirma Suely Melo. Para a coordenadora, a revista ao pedreiro se caracteriza como mais uma falha humana por parte dos funcionários do Memorial dos Autonomistas.

Na opinião da coordenadora, o furto da caneta não irá macular a imagem do museu quanto à segurança de objetos a serem expostos de outros museus ou galerias. “Essa foi uma falha isolada. A primeira e única. Todos estão sujeitos a sofrer, tivemos caso recente na Pinacoteca de São Paulo, quando quadros valiosos foram roubados”. Além da caneta, o Memorial dos Autonomistas tem um vasto acervo desse importante momento da história acreana.

As roupas, medalhas, espadas, entre outros objetos pessoais do senador José Guiomard dos Santos estão disponíveis para apreciação pública. Os restos mortais do líder autonomista e de sua esposa, Lídia Hermes, fazem parte do acervo.

 

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