Produtor joga peixe podre na frente da Eletroacre

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Protestos contra decisões ou serviços públicos podem ser feitos das mais variadas formas. Foi isso que provou o produtor rural James Souza na manhã de ontem, por volta das 8h30, quando despejou na frente da sede da Eletroacre uma parte dos 300 kg de peixes estragados que pescou durante a semana passada e que se estragaram devido à falta de energia para os equipamentos de oxigenação que deveriam tê-los mantidos conservados. Com a pergunta irônica “vocês querem comprar peixe?”, o pescador causou o maior rebuliço na instituição ao jogar os frutos do seu prejuízo pela falta de luz na sua casa, situada na Estrada Jarbas Passarinho, próxima à Apadeq.

Realizado o protesto, o produtor rural foi chamado pelo representante da Eletroacre, Celso Mateus, para explicar melhor a sua situação. De acordo com James Souza, há cerca de três meses ele comprou as máquinas para conserva dos peixes, mas por conta das quedas de fase no local não pôde colocá-las em funcionamento imediato. Por isso, chamou uma equipe da Eletroacre para assegurar a estabilização na energia. A equipe estudou o caso e orientou o produtor a comprar equipamentos no valor de R$ 6 mil para garantir uma energia de qualidade. Ele seguiu o conselho determinado pelos técnicos e fez o investimento, mas não obteve o resultado que esperava em troca.

“Esta é a terceira vez nestes três meses que isso acontece comigo. Desta vez, a luz apagou por volta das 17h de sábado e só voltou no domingo às 10h da manhã. Isso é um absurdo. Eu já tive prejuízos demais por conta destas quedas nas fases”, reclamou. James disse que na reunião, que durou cerca de 1 hora, o representante da Eletroacre lhe prometeu que uma nova equipe investigará a situação no sentido de resolvê-la. “Quanto aos peixes eu não quero ressarcimento. Tudo o que eu quero é que eles resolvam este problema com a minha energia para que estes prejuízos não ocorram mais”, completou.

Outro que aproveitou a chance para protestar foi José Maria, morador do ramal do Zezé, km 2 da BR-364. Segundo ele, em 97 foi feito um pedido de energia para a sua casa, através do Programa Luz Para Todos. Porém, ele alega que a recepcionista da Eletroacre errou ao passar as suas informações no sistema e, por isso, até hoje ele ainda está sem luz no seu lar. “A minha casa hoje já não faz mais parte da zona rural, mas no tempo abrangia e a moça da recepção errou. Agora, todos os meus vizinhos têm energia elétrica, enquanto eu estou há 12 no escuro, cobrando pela instalação dela”, disse. 

Acisa se reúne com representante da Eletroacre

Quem também cobrou ontem da Eletroacre um serviço de mais qualidade no fornecimento de energia elétrica foram os empresários da Acisa (Associa-ção Comercial do Acre), mais especificamente os representantes das associações dos municípios e dos consumidores. Eles aproveitaram a manhã de ontem para se reunir com o representante da instituição, Celso Mateus, e saber o porquê das constantes oscilações de energia em todo o Estado, tendo em vista o prejuízo que isso tem causado à classe empresarial.

Os presidentes Ádem Araújo (Acisa) e Rubenir Guerra (CDL) destacaram que as quedas de energia se tornam cada vez mais freqüentes. Por tal motivo, é preciso buscar de imediato uma solução junto à Eletroacre para contornar a situação, pois este problema vem causando grandes prejuízos a empresários de todos os portes, já que a maioria deles, principalmente os pequenos e micros, não tem condições de pagar um seguro para aparelhos danificados, tampouco para esperar a longa investigação de ressarcimento da Eletroacre.

Em resposta, Celso Mateus declarou que há 6 meses a Eletroacre tem colocado a resolução desta conjuntura como sua mais alta prioridade. Por conta disso, tem sempre ouvido às reclamações das classes acreanas para identificar todos os pontos a serem melhorados. A maior prova disso, afirmou o representante, está no investimento de 40 milhões que a empresa fará em 2011 para a construção e melhoria de centrais de abastecimento de energia no Estado. “Queremos que os consumidores tenham confiança em nosso trabalho. Sabemos que diante da atual situação isso pode ser difícil, mas é o que buscamos. Quanto àqueles que tiveram prejuízos com as quedas de energia, eu os aconselho a procurar seus direitos para serem ressarcidos”, ressalta Mateus.

 

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