A perversa mente humana

Inspirada pelo professor de psiquiatria cubano, Emílio Mira Y Lopez, tenho tentado estabelecer uma compreensão acerca das perversidades protagonizadas pela mente humana, como no caso registrado este final de semana em Plácido de Castro, onde um idoso de 72 anos morreu após sofrer abuso sexual, por supostamente três jovens.

Não me contentei com os detalhes fornecidos pela minha amiga Lenilda Cavalcante, na página policial desta GAZETA. Quis ver as fotografias, que segundo já havia sido advertida pela editora Geisy Negreiros, eram de embrulhar o estômago e partir o coração. Fiz questão assim mesmo e, confesso, jamais ter testemunhado tamanha perversidade. O que leva um ser humano a cometer tamanha monstruo-sidade? Efeito do álcool, vingança ou simples perversidade?

Lopez (1941) nos ensina que não é possível julgar um crime sem compreendê-lo. Não basta conhecer os antecedentes da situação, mas também o valor dos fatos deter-minantes da reação pessoal. De acordo com este reno-mado autor, pioneiro da Psicologia e dos Direitos Humanos, toda a obra humana, por insignificante que seja, acha-se nitidamente ligada à rota existencial de seu autor. É indispensável, adverte, saber as circunstâncias em que ele vivia ao produzi-la.

É com base nessas observações, que o psiquiatra, sustenta sua Teoria Psicológica da Ação Penal. De acordo com esta teoria, o indivíduo ao nascer, contêm, em si todas as tendên-cias delituosas, visto que procura satisfazer suas necessidades vitais sem contar o prejuízo que isso possa acarretar ao meio que o rodeia.

Segundo Lopez, somente a lenta e penosa ação coercitiva da educação irá ensinar ao indivíduo que a sua conduta resultará sempre de um compromisso de uma transação entre a satisfação das suas necessidades e a dos demais. Diante disso podemos questionar: como o caso do velhinho morto mediante agressão sexual se enquadra nesta teoria? Certamente, o perfil psico-social dos acusados do crime só será conhecido ao final da investigação policial e da instrução criminal.

Mas, uma lição podemos extrair da Teoria Psicológica da Ação Penal formulada por Lopez: a educação é a melhor arma contra o crime. É através dela que aprendemos, ainda com nossos pais, que temos que repartir o pão com os nossos irmãos; que devemos respeitar os bens dos demais; e que nossos desejos têm que se ajustar a certas normas impostas pela sociedade para serem satisfeitas sem entrarem em conflito com elas. Não basta repudiar ou criticar, temos que ajudar a construir a sociedade que sonhamos, sob pena de sermos as vítimas ou mesmo os agentes do crime de amanhã. Pense nisso.

Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

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