Dívida moral

O Acre tem uma dívida moral com os sobreviventes da extinta guarda territorial do Estado. Digo moral porque economicamente eles estão muito bem obrigada, desde que tiveram seus salários equiparados aos dos agentes da Polícia Federal, há uns oito ou dez anos. Talvez seja por isso que a maioria dos governantes locais nunca deu a eles o devido reconhecimento.

Se omitindo também com as futuras gerações, que em alguns anos não terão mais a chance de encontrá-los jogando conversa fora no Senadinho, no Centro de Rio Branco, ou na Caixa Auxiliadora da Guarda do Extinto Território, localizada ao lado do prédio da Embratel, na Rua Rui Barbosa.

É da história do Acre que estamos falando. De fatos e acontecimentos que marcaram um período difícil da história acreana e cujos detalhes eles têm prazer em fornecer.  Lembranças que de tão vivas em suas memórias chegam a doer diante da ausência de interesse do poder público e da própria sociedade.

Tive o prazer de conhecer alguns destes valorosos homens durante uma pesquisa acadêmica recente. Foram eles que esclareceram minhas dúvidas diante a omissão do Poder Executivo com o patri-mônio público e cultural do Estado. Gentis, organizados, honrados.

Eles preservam intactos documentos importantes que deveriam está sendo alvo de consulta por parte da comunidade acadêmica acreana. Pena que não haja interesse em publicá-los ou mesmo tomar conhecimento de que ele exista. Eu mesma tive o prazer de ter em mãos um destes documentos, o 5º Livro de Assentamento dos integrantes da Guarda do Extinto Território do Acre, cujas informações datam remontam um período que sequer a minha mãe tinha nascido.

Triste é constatar que estes homens sobreviveram à malária, as feras da floresta e as armas do inimigo para serem ignorados por aqueles que têm o dever legal e moral de reconhecer a importância histórica que eles representam.

Mas ainda há tempo de corrigir essa parte da história, pode começar por uma simples visita ao escritório da Caixa Auxiliadora.

O Júlio Guedes da Rocha, atual presidente, e seus companheiros estão lá a sua espera e terão muito prazer em conduzi-los, através de seus relatos, a um Acre que a maioria dos acreanos desconhece. Aproveite e peça para ele lhe contar a história do turista 171 que conseguiu a façanha de se tornar governador do Acre por um dia.

* Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

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