Independência energética, já!

No final das contas o resultado da CPI da Energia Elétrica foi muito positivo. Confesso que quando cobri a primeira reunião que os deputados federais fizeram em Rio Branco, na Aleac, senti um cheiro de pizza. Apesar dos nossos parlamentares acreanos se mostrarem muito combativos e críticos com a Ele-troacre não senti que a Comissão teria arcabouço político para operar grandes mudanças no setor. O próprio presidente da CPI, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), me pareceu muito jovem e inexperiente. A minha sensação foi de que “forças poderosas” não queriam a CPI e, por isso, escalaram um time de parlamentares de segunda categoria. A maioria jovens de primeiro mandato.

Graças a Deus, me enganei. O “menudos” da CPI foram para cima dos problemas e acabaram fazendo um estrago para as distribuidoras e a própria Agência regularizadora do Governo (Aneel). Conseguiram mostrar que o povo brasileiro foi lesado em R$ 7 bilhões nos mais recentes anos e exigiram a devolução do dinheiro. Também comprovaram a baixa qualidade de serviços energéticos prestados aos brasileiros. Deram visibilidade a um dos mais sérios problemas para o desenvolvimento do país que é a energia elétrica. Além de terem conseguido impedir o aumento de tarifas e, em alguns casos, reduziram as já existentes. 

Mas vale salientar que nesse processo nacional o Acre mereceu um papel de destaque. Foi aqui que as coisas esquentaram para o lado das distribuidoras e estatais. Como o nosso problema energético é gritante acabamos por estimular o debate mais acirrado também em outras regiões do país. Acho que os “tubarões” das distribuidoras não sabiam que no Acre política é assunto popular. A nossa audiência pública com a Aneel foi a mais participativa e os nossos deputados da CPI, como o Gladson Cameli (PP-AC), refletiram a insatisfação e o clamor dos acreanos em relação à energia na Comissão.         

Mas estamos ainda longe de uma solução para a questão do abastecimento energético do Estado. Como me disse recentemente um taxista: “ninguém pode se conformar em ter a garantia de fornecimento elétrico com um ‘rabicho’ vindo de Ron-dônia”. É preciso encontrar um caminho para se alcançar a independência energética do Acre. Por aqui ainda se joga no lixo milhões de toneladas de biomassa que poderiam garantir uma energia de qualidade. Também não nos falta à força do sol e dos ventos, duas fontes geradoras energéticas importantes. Sem falar na possibilidade de encontrarmos e podermos explorar o gás do nosso subsolo. Seja como for está na hora de haver investimentos reais e conseqüentes para garantir às próximas gerações de acreanos uma fonte energética limpa para continuarmos o nosso processo de crescimento humano, social e econômico.    

* Nelson Liano é jornalista
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