O grande líder da América Latina

Mesmo os maiores adversários do presidente Lula (PT) não negam o seu carisma. Quando ele faz seus pronunciamentos consegue encantar até a mais das venenosas serpentes. Não é à-toa que mesmo depois de sete anos no poder, Lula, consegue manter a sua avaliação positiva em 84%. Governar é desgastante. É quase impossível agradar a gregos e troianos por tanto tempo. Mas o ex-líder sindical conseguiu. A aprovação do seu governo está distribuída desde as classes mais abastadas até as mais empobrecidas. É um dos maiores fenômenos populares de aceitação da história política contemporânea brasileira.

 Mas o sucesso de Lula ultrapassou as fronteiras brasileiras. Recentemente, na cobertura jornalística que fiz em Lima, no Peru, do seu encontro com o presidente Alan Garcia fiquei ainda mais impressionado. Já viajei muitas vezes pelo Peru e a Bolívia e sei do nacionalismo deles. Mas a imprensa peruana avalia o presidente brasileiro como o grande líder da América do Sul. O mesmo acontece na Bolívia. Como o presidente norte-americano, Barack Obama, eles acham que Lula é o cara. O batizaram como o peregrino da integração latino-americana.   

É comum Lula servir de cabo eleitoral nas eleições do Continente como aconteceu recentemente na Bolívia, com Evo Morales e, na Venezuela, com Hugo Chaves. Também Alan Garcia utilizou a visita de Lula para fortalecer a sua base política que deverá indicar um candidato do seu partido, Apra, às próximas eleições presidenciais peruanas, em 2011. Lula fala uma linguagem de fácil compreensão para as populações que sempre viveram o estigma do subdesenvolvimento e do complexo de inferioridade em relação aos países do Hemisfério Norte. O nosso presidente consegue inflamar as massas com um discurso bem humorado que coloca os latinos americanos no centro do mundo. Nas suas palavras o impossível parece possível.

Agora, uma reflexão! Mesmo que Lula não consiga eleger a sua sucessora Dilma Rousseff, o que não acredito, continuará tendo forte influência política no Brasil e na América Latina. Na minha opinião, uma eleição não será suficiente para apagar o carisma de um político que criou uma identificação tão grande com as massas. Como diria o ex-técnico da seleção Brasileira, Zagalo, mesmo os seus adversários políticos ainda terão que aturá-lo por muito tempo. Lula merece o que conseguiu e acredito que conseguirá eleger a sua sucessora apesar de todos os obstáculos.      
 
* Nelson Liano é jornalista
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