Tríades caricaturais

As minhas tríades são como todas as tríades. São séries de três. Aqui, serão abordados, em domingos fortuitos, três comentários relativos à convivência urbana, ao caos promovido pelos poderosos, ao mundo da academia, ao ultraje simbolizado por parte significativa dos que adoçam os bicos de aves de rapina a beneficiar-se do dinheiro público, ao preconceito social que trata o macho como ave rara e sem defesa, quase em fase de extinção, dentre outros fatores que angustiam a parcela irrisória dos que pensam não apenas com os seus botões, os botões do irracional, mas com os botões dos demais, com os botões da racionalidade, da análise lógica e do tirocínio.

De início, é preciso fazer uma observação cuidadosa, meticulosa, em busca de solução para o fato de que o Detran e a Ciatran, inadvertidamente, com certeza, têm sob a sua responsabilidade um peso descomunal simbolizado por uma parcela considerável da comunidade que, irresponsavelmente, usa carteiras de habilitação para sair por aí feito doido atropelando uns e matando outros, no mais das vezes sob o manto da impunidade que cobre os mauricinhos, como quer o rapazola imbecil que busca por todas as formas imiscuir-se das responsabilidades pelo crime cometido contra dois rapazes  –  um dos quais, o Marcelo, filho de Ramiro Marcelo, jornalista. Pior é que o causador do acidente anda pelos bares e boates da vida a tripudiar das vítimas dizendo que filhos de ricos, como ele e como outros, embora com as mentes embotadas não se sabe lá por quais substâncias, (segundo comentários atribuídos ao próprio) não pagam pelos males cometidos porque os pais  têm grana suficiente para lhes safar das barras da Justiça, e quem na realidade sai ferrado são sempre aqueles que por meses ficam a recuperar-se das fraturas.

Lembro então do tamanho das labaredas que carbonizaram aquele moço que fazia uma obra de arte chamada pega nas ruas do Tropical. Ele e o amigo  –  não se sabe também por onde ha-viam deixado as cabeças  –  sequer conseguiram perceber o tamanho da doidice em que se meteram ao praticar o tal racha com dois carros velhos, talvez dos anos oitenta, com as estruturas totalmente comprometidas pela corrosão das peças principais.

Numa análise mais nua do que crua, observo que, se o herói de uma aventura tresloucada dessas sai vivo do cenário da loucura, vai parar nos hospitais do sistema único de saúde, ficará internado por uns três meses, sendo tratado e alimentado com o dinheiro dos impostos pagos pelos homens de bem que se vêem sempre amea-çados pela irresponsabilidade destes demônios da mão e da contramão.

Mas é preciso ir um pouco além…

Eu resido cá pras bandas da Nova Avenida Ceará, entre dois pardais do Detran que nunca me multam porque não me excedo na velocidade e, principalmente, porque sei que a faixa dupla sequer deve ser tocada, coisa que por aqui poucos sabem, ou fingem não saber, uma vez que o mais importante é avacalhar mesmo o trânsito.

Não há apenas malucos por trás dos volantes. Os imbecis são em número bem maior. É só observar que, entre o Universitário e a AABB, todos os dias ocorrem abalroamentos por excesso de burrice ou pelo fato de o cretino posar ao volante, com o celular na orelha, como se fosse brinco, mesmo sem estar falando com ninguém.

Por outro lado, como orgulhoso crítico de costumes desta terra de Galvez, cumpre-me alertar os órgãos afins para um fator gravíssimo. É que muitos meninos e meninas do Conjunto Esperança, que estudam numa escola do Tangará, de manhã e à tarde, vêm por um portão dos fundos do Araújo/Daiane e atravessam a avenida mesmo em frente ao citado supermercado, isto, a quarenta metros de uma faixa de pedestres com semáforo e tudo. Outro dia, então, um motoqueiro, inadvertidamente, deu passagem a uma turminha de uniforme branco, em local indevido, bem distante da faixa. Eu, que vinha logo atrás, por muito pouco não acertei o motociclista apalermado que fazia gentileza em local tão despropositado.

Tomem alguma providência, antes que a miséria abale a família estúpida de uma dessas crianças desinformadas e sem criação.

Em seguida, em termos bem gerais, quero afiançar-vos que tenho opiniões e luzes próprias. Os meus pontos de vista são claros e não têm o intuito de bajular quem quer que seja. Não é coincidência pensar como pensam, em boa parte dos casos, os rapazes do PT e a moça do PV. Afinal, somos de uma geração que buscou nos livros a inspiração para fazer bem feito o que todos vêem.

Analisemos, então, pacientemente, da mesma forma como fez o carcereiro do DOI-CODE que meteu a porrada no Zé Dirceu… É preciso muita calma nessa hora…

Como é doído para as almas dos bem aventurados e dos homens e mulheres de bem verem e sentirem as formas e fórmulas que toma e as poções de que se nutre a inveja para dar fim ao invejoso. Morrem aos montes as vítimas dessa doença infernal. A moça não pode olhar para o casaco de Vison da outra prostituta e já quer comprar dois assinados por Donatella. O sujeito não pode saber que o vizinho, também pilantra, tem um Jaguar e já quer ter um também, e mais uma Lamborghini 2010. O rapazola louco do trânsito não pode ver o pirulito do outro e já quer ter na boca o seu também… Pô!
Eu não garanto ser fácil, hoje, para o Zé Roberto Arruda, o governador do Distrito Federal, arranjar patrocínio para um filme sobre a sua vida, principalmente, porque o Luiz Carlos Barreto não vai ter coragem e inspiração suficientes. O enredo seria digno de uma análise cuidadosa, sim, feita pelo psicanalista de Bagé  –  aquele que recupera a sanidade dos clientes na base do joelhaço no estômago  –  posto tratar-se de um rato que caiu no vício e morde a isca da ratoeira pela undécima vez. Ainda outro dia, ele se desculpava, de joelhos, perante a opinião pública, pelo fato de ter adulterado o painel do Senado Federal… E foi esse mesmo Zé Sarney quem lhe passou a mão na cabeça!
Esta, então, uma historinha já esquecida dos mais velhos e desconhecida das mais novas gerações que não querem saber de muita coisa. Uma pena!

Eu tenho uma história digna de ser contada para o mundo. Nunca fui muita coisa, mas influo até um pouco. Sou de origem humilde. Vim de Xapuri. Meu pai era estivador e não fugiu das responsabilidades paternas. Minha mãe foi lavadeira por uns vinte anos e morreu condignamente cercada pelos que fizeram dela um anjo e uma heroína. E por aí vai…

Luiz Inácio também tem uma história de vida muito bonita e deve servir de roteiro de filme, sim, como serviu. Lula é um exemplo para as camadas mais pobres que buscam um lugar ao sol, com os devidos cuidados e limites. O filme Lula, o filho do Brasil vai estourar bilheterias, com certeza, principalmente no exterior, onde o metalúrgico é tido como o maior estadista do século XXI, apesar de não falar como o Caetano Veloso recomenda.

Aí, apareceu o Zé Aníbal, o Cérbero* do PSDB, a dizer, com razão, que se trata de uma grande armação propagandística. Ora, o Zé é paulista e filho de rico, logo, não tem história alguma para contar. É aquela coisa de viajar pra Europa, de fazer especialização entre os americanos, de passar férias no Japão, e assim por diante…

Lembra muito o Fernando Collor, rico e perdulário, cuja história agora fica ainda mais podre porque há um ano não paga a pensão da ex-primeira-dama, a tal da Rosane, nomeada presidente da legião brasileira de assistência aos alagoanos que hoje estão mais pobres que sempre, com exceção de uma meia dúzia de oportunistas que fustigam a grande parte da população sob salários que não chegam ao mínimo permitido.

É como a história da Iêda Cruzius que enlameia o elenco dos grandes governadores gaúchos. É como a história do Aécio Neves que é escorada na do velho Tancredo Neves, seu tio morto.

*Cérbero, na mitologia grega, é o demônio em forma de um cachorro gigantesco que protege a porta do inferno (hades).  

Por último, é oportuno considerar que quaisquer dos que se aventuram nos meandros destas mal traçadas linhas hão de concordar comigo apenas num ponto, e não mais que isto. Não é preciso… Maus leitores sempre interpretam mal, independentemente do texto, até porque dificilmente têm habilidade no manuseio do dicionário… Não. Não é preguiça. Nem burrice propriamente dita. É desleixo e é desatenção, com certeza.

Pelo sim e pelo não, principalmente para salvaguardar sensíveis susceptibilidades, eu preferiria dizer que eles são péssimos leitores, como aquelazinha, a Carmelita Calçada, que ousou dizer que não havia o registro da palavra tripudiar em nenhum documento da história da língua portuguesa, desde Paio Soares de Taveirós, autor do primeiro texto em português, até o advento destas meras algaravias agora nascentes.
Então. Lugar de esperar missa é na igreja e antes de o padre se benzer, em que pese o fato de alguns beatos da nossa Catedral de Nossa Senhora de Nazaré  –  e aqui vai mais uma crítica não virulenta  –  chegarem atrasados quinze minutos, já na hora da primeira leitura. Não pode! Senhores e senhoras! Não é de bom tom entrar no meio da missa com boné na cabeça, ou com vestidos de costas nuas que mostram a renda branca da calcinha vermelha.

Mas vamos ao que interessa, antes que seja tarde demais e os alvos deste libelo tenham já ido dormir em berço esplêndido com o intuito de depois dizer que alguém é culpado pelo seu fracasso hediondo.

Aquela turma que queria melar o último vestibular da Universidade Federal do Acre, antes de eles dormirem muito, muito mesmo, são péssimos leitores. O pessoal do Ministério Público Federal já os viu e, antes mesmo da sessão de lamúrias próprias dos que querem jogar a culpa da sua incompetência em alguém, ou em algum fato, ou no professor que não lhes deixou colar, ou no pai que não funcionou como despertador pós-bebedeira, chegou à triste conclusão segundo a qual, se o concorrente não consegue interpretar (ou ler) o Manual do Candidato, ou até mesmo o simples cartão de identificação, como poderá entender as obras da relação de leituras obrigatórias, como as intrincadas Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ou o escorregadio Macunaíma, de Mário de Andrade?

Pô! É como aquele Adão que jogou a culpa na Eva que jogou a culpa na cobra que jogou a culpa na maçã que jogou a culpa em Deus… Vós sois o culpado pela sua própria miséria.

Vão estudar, magote de doidos! Não. Eles não sabem o que é isso… Durmam um pouco hoje e muito mais amanhã, mas não esqueçam de que tudo é como o Carnaval: no ano que vem tem de novo.

* José Cláudio Mota Porfiro é cronista.

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