Câncer de mama em homens

O termo câncer (neoplasia maligna) segundo Bennett e Plum (1997) é originado a partir do crescimento desorganizado de células das glândulas mamarias. Os cânceres matam pela invasão destrutiva de órgãos normais por extensão direta e disseminação para pontos distantes através do sangue, da linfa ou das superfícies serosas.

Embora a incidência da doença ainda seja considerada baixa, sou seja equivalente a 1% dos cânceres malignos, ela vem aumentando a cada ano. Segundo um estudo publicado em 2008 na revista norte-americana Cancer, a incidência naquele país aumentou em 25% nos últimos 25 anos.

No Brasil, com base nos números de 2002, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão ligado ao Ministério da Saúde, indica que mais de 500 homens morreram no período de 1996 a 2002 vítimas desse tipo de câncer e a estimativa é de que surjam cerca de 250 casos novos a cada ano.

SINAIS E SINTOMAS  – O principal sintoma é o aparecimento de nódulo indolor na região da aréola, onde o tecido mamário se concentra, podendo provocar coceira e irritação. Junto com o aparecimento do nódulo é comum haver queixas de descarga mamilar e sinais de disseminação local, como por exemplo: retração do mamilo e ulcerações, que geralmente, atinge uma única mama.

A dor mamária, também chamada de mastalgia, é raramente associada com Câncer de mama e está geralmente relacionada com alterações benignas do período da pré-menopausa ou em mulheres na pós-menopausa recebendo reposição estrogênica. A dor nesses casos está presente juntamente com um inchaço mamário.

Eritema (vermelhidão da mama), edema (inchaço da mama), retração da pele ou do mamilo estão comumente associados com Câncer de mama.

A secreção sanguinolenta do mamilo quando acompanhada de uma massa, que sai de um único ducto, espontaneamente é considerada suspeita. Nesse caso, faz-se mamografia e ductograma. Secreção verde ou preta e que vem de mais de um ducto habitualmente é normal.

FATORES DE RISCO  – Segundo Silva, Toscani e Graudenz (2009) há fatores de risco similares e também distintos aos das mulheres, quais sejam:

Fatores genéticos – história familiar positiva em parentes de primeiro grau está presente em 20% dos homens com câncer de mama.

Fatores ambientais – maior freqüência de câncer de mama masculino associado à exposição ocupa-cional, a exemplo da radiação ionizante, principalmente se ocorrer precocemente na época do desenvolvimento mamário.

Fatores hormonais – O uso de estrogênio aumenta o risco de tumores em situações como, por exemplo, o tratamento hormonal do câncer de próstata e seu uso por transexuais.

Outros fatores são a ocorrência de parotidite antes dos 20 anos, criptorquidia, hérnia inguinal congênita e orquiectomia (unilateral ou bilateral).

TRATAMENTO – O tratamento se assemelha ao tratamento feminino, pois depende do grau da doença e do estado de saúde da pessoa, sendo que quanto mais precoce o tratamento, melhor será o resultado. Primeiramente é realizada a biópsia excisional. Posteriormente, a mastectomia radical modificada, radioterapia e a quimioterapia. Após o tratamento nova biópsia é realizada para verificação de metástase.

A cirurgia conservadora, pelas características da mama masculina, não é indicada. Assim, mastectomia radical modificada é o procedimento de tratamento padrão. Conforme sugerem alguns autores, hoje em dia, a cirurgia de remoção do tumor é bem menos traumática e o/a paciente já sai do centro cirúrgico com a mama reintegrada.

Em relação à quimioterapia e hormonioterapia, não há diferenças no tratamento entre homens e mulheres.

AUTO-EXAME – De acordo com os especialistas, as formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o auto-exame das mamas, o exame clínico e a mamografia.
O auto-exame é uma maneira simples para o diagnóstico de alterações que podem desencadear um câncer. Realizado em cinco minutos, essa técnica bem conhecida entre as mulheres é similar para os homens.

Deitado, ele deve apalpar a mama e observar se há nódulos (caroços) e dores. Alterações no formato das mamas (tamanho, surgimento de pregas, depressões ou alterações na pele) podem ser observadas em frente ao espelho. Com toques em movimentos circulares, o homem deve observar a presença de secreções.

As axilas também devem ser apalpadas. Esse exame é complementado no banho, quando o homem, com a ponta dos dedos, deve procurar por espessamentos e caroços na mama. Esse auto-exame é recomendável para os homens com mais de 40 anos e que apresentem algum dos fatores de risco.

IMPORTANTE – Muitos autores referem que o uso de anabolizantes, principalmente por jovens que querem ganhar massa muscular em academias e o uso de hormônios por transexuais piora a situação, uma vez que torna a detecção mais difícil e a maior tendência em desenvolver o câncer.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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