Dermatite de contato: um tipo de alergia dentre muitos

Alergia é uma doença que não tem cura e afeta a um grande número de pessoas em todo o mundo. Para mantê-la sempre sob controle é necessário conhecer não somente suas formas mais comuns, mas também seus agentes causadores.

A alergia é um problema representa uma hipersensibilidade do organismo a determinadas substân-cias e agentes físicos, podendo se manifestar de várias formas diferentes e dentre as principais encontram-se as dermatites de contato que é uma alergia causada pelo contato direto da substância alergênica com a pele.

Os objetos causadores da dermatite de contato mais comuns são: relógios com pulseiras plásticas, metal ou couro; óculos; botões de metal e elásticos de calcinhas e sutiãs; esmalte.

Vale acrescentar que antecedentes de qualquer tipo de alergias, aumentam o risco de uma dermatite de contato.

SINTOMAS
Os sintomas mais comuns são a inflamação local, acompanhada de coceira, semelhante a uma mordida de inseto. A dor, a queimação e a coceira no local afetado se iniciam minutos ou horas após a exposição ao agente químico. A irritação pode levar à formação de pequenas fissuras ou bolhas na pele.
Dependendo do tipo de substância, da área afetada e da sensibilidade do indivíduo, a inflamação da pele pode variar entre uma leve irritação até úlceras abertas.

CARACTERÍSTICAS
Na fase aguda, a dermatite de contato é caracterizada por vermelhidão, inchaço leve e formação de pequenas bolhas.

Na fase subaguda, ocorre a formação de crostas e descamação na região afetada, e resulta da liberação de substâncias químicas por células da pele como resposta à agressão química.

Na fase crônica, aparece a liqueni-ficação (espessamen-to da pele). O prurido (coceira) está presente em todas as fases, e pode se apresentar de forma discreta ou muito intensa.

O local mais comu-mente acometido são as mãos, e as principais substâncias causadoras da alergia compreende o látex, medicações, cremes, sabões e solventes. Algumas plantas também podem produzir esta forma de dermatite.

O problema afeta 2 em cada 100 pessoas, sendo duas vezes mais comum entre as mulheres.

PREVENÇÃO
A dermatite de contato geralmente desaparece sem complicações depois de duas ou três semanas, mas pode reaparecer se o antígeno que a causa, não puder ser identificado ou evitado.

As complicações incluem principalmente, as infecções cutâneas bacterianas secundárias. Assim, para que as pessoas possam se manter longe das alergias, a melhor maneira de preveni-las começa dentro de casa. Um ótimo começo é manter um ambiente limpo, livre de poeira e bastante arejado.

Se a doença for causada pela exposição ocupacional, uma alteração na ocupação ou nos hábitos ocupacionais pode ser necessária.

TRATAMENTO
Dependendo da intensidade, duração, causas, localização e tipos de lesões da dermatite, o tratamento pode ser tópico ou sistêmico.
Evitar o contato com as substâncias que desencadeiam a dermatite de contato é fundamental para o sucesso do tratamento.

O teste de contato pode ser de grande ajuda para se descobrir o que está causando a alergia. Ele é realizado colocando-se 20 a 30 das principais substâncias alergênicas em contensores que são deixados em contato com a pele por 48 horas. Aquelas que causarem reação devem ser evitadas.

Além desse, outros exames podem ser utilizados para descartar outras possíveis causas, a exemplo de uma biópsia de lesão cutânea ou cultura da lesão cutânea.

TRATAMENTO SISTÊMICO
O tratamento sistêmico geralmente é feito com o emprego de corticos-teróides, antibióticos e antihis-tamínicos.
Apesar de ser muito eficaz na maioria dos casos, a cortisona deve ser usada com cautela para evitar possíveis efeitos colaterais.

TRATAMENTO TÓPICO
Na fase aguda, compressas úmidas e suavizantes, antipruriginosas, ou ainda loções secantes podem ser utilizados com a finalidade de reduzir outros sintomas.

Nas fases subagudas e crônicas, corticosteróides em soluções, cremes, pomadas ou infiltrações de diferentes potências, dependendo do tipo, localização e intensidade da dermatite.

Se houver complicação e o paciente apresentar infecção bacteriana ou fúngica, um tratamento específico deve ser ministrado.

EM RESUMO…
De acordo com a maioria dos autores consultados, dependendo da gravidade da reação alérgica os esteróides tópicos ou orais podem ser utilizados. Em se tratando dos medicamentos orais, com o objetivo de fornecer o efeito antiinflamatório máximo sem que haja risco de supressão da supra-renal, estes, geralmente, são utilizados em doses decrescentes.

Por último, recomendam-se que antes de pensar em utilizar qualquer tipo de medicamento é essencial contar sempre com a indicação de um médico especialista na área dermatológica.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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