Síndrome dos vômitos cíclicos

A síndrome dos vômitos cíclicos (SVC) consiste em episódios recorrentes e estereotipados de náuseas e vômitos intensos, que persistem por horas ou dias, separados por períodos de inteira normalidade, na ausência de causas aparentes.

A SVC foi descrita pela primeira vez em 1861 por H. C. Lombard, em Paris, e Samuel Gee, em Londres, em 1882. Embora descrita a mais de um século sua etiologia permanece desconhecida.

É mais comum aparecer na infância, mas pode ocorrer em adultos, ou seja, acomete pes-soas partir de 6 dias de vida até 73 anos de idade, sendo mais freqüentemente em mulheres.

CARACTERÍSTICAS – Conforme assegura Kenny (2000), a SVC é caracterizada pelo aparecimento e desaparecimento sem causa aparente de náuseas e vômitos intensivos, que se repetem entre si com grande semelhança em um mesmo paciente. De começo e resolução rápida, normalmente inicia-se durante a noite, podendo durar de horas a dias.
A duração mais freqüente de um episódio geralmente é de 1 a 4 dias, mas em casos extremos, pode chegar a até 14 dias. Durante cada episódio os vômitos podem ocorrer com uma freqüência 10 a 15 minutos, deixando a pessoa em estado de esgotamento, prostração e letargia.

Em se tratando de criança, devido ao esgotamento, geralmente estas assumem uma atitude autista uma posição fetal.

O único estado que oferece certo descanso e conforto ao paciente com vômitos cíclicos é o sono, quando as náuseas são refratarias aos medicamentos antieméticos.

SINTOMAS – A principal complicação que pode surgir numa fase mais avançada é a desidratação e por conseqüência a criança pode apresentar os seguintes sintomas: boca seca, choro sem lágrimas, diminuição da quantidade de urina, urina mais concentrada (mais escura), fontanela deprimida, irritabilidade, perda de peso, olhos encovados, diminuição da elasticidade da pele.

COMPLICAÇÕES – As náuseas os vômitos contínuos podem causar esofagites péptica, que se manifesta com dor retrosternal intensa e hematemesis, particularmente nos casos de mais de 24 horas de duração.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS – Os critérios essenciais para o diagnóstico da Síndrome, relacionados por Kenny (2000) compreendem: a) Episódios de vômitos diferentes, recorrentes e severos; b) Intervalos de saúde entre os episó-dios; c) Episódios de horas ou dias de duração; e d) Ausência de causa aparente dos vômitos.

TRATAMENTO – O tratamento do SVC passa pelo tratamento das causas dos vômitos e prevenção de complicações. O tratamento visa diminuir o número e a gravidade dos episódios, e ajudar as crianças a conviver com sua doença, o qual deve ser personalizado para cada paciente e depende do estágio em que a doença se encontra.
Em situações de quadro agudo de vômitos pode será necessária uma pausa alimentar de curta duração, ou seja, de uma a duas horas, mantendo uma ingestão de líquidos que são mais tolerados.

Os medicamentos anti-heméticos podem ser utilizados para reduzir as náuseas e os vômitos, sendo estes mais eficazes se administrados com antecedência de uma hora antes do inicio do episódio.

Em alguns casos pode haver necessidade de uma curta hospita-lização para hidratação via intrave-nosa, no caso do trato gastrointes-tinal necessitar de repouso ou se houver impossibilidade de alimentação oral.

EM RESUMO… – A Síndrome dos Vômitos Cíclicos (SVC) de acordo com Kenny (2000) é um transtorno pouco conhecido, que afeta principalmente a crianças e alguns adultos. Sua principal característica clínica é o aparecimento de episódio de vômitos recorrentes, imprevisíveis, explosivos e inexplicáveis, separados por intervalos de completa saúde.
Os episódios recorrentes de náuseas e vômitos são muito semelhantes. O início é súbito e acontece mais freqüentemente na noite e madrugada, sendo que na maioria dos casos é provocada por situações de stress (agradável ou desagradável) e infecções (resfriado comum, sinusite), muito embora o esgotamento físico e certos alimentos, a exemplo do queijo e do chocolate, possam precipitar as crises.

Os sintomas associados como febre, palidez, sudorese, taquicardia, hipertensão, leucocitoses e secreção inadequada de hormônio antidiurético transitórios, remitem ao final de cada episódio.

A crise termina da mesma forma que começou, ou seja, de uma forma brusca. Alguns pacientes experimentam episódios de minutos a horas, em que eles sentem grande angústia e aflição.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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