Antônio Amaro Alves

Antônio Amaro Alves foi o nome escolhido pelo então governador Jorge Viana (2003) para batizar o primeiro presídio de segurança máxima do Estado. Os motivos da escolha, se por vontade própria ou por indicação, são desconhecidos da maioria da população, da comunidade carcerária e até mesmo pela atual direção do Instituto Penitenciário do Acre. 

Mas a partir da leitura da página 36, do 5º Livro de Assentamento dos integrantes da Guarda do Extinto Território do Acre, pude constatar que o homem que emprestou seu nome ao único presídio de segurança máxima do Estado, era natural de São José dos Lopes, Alagoas, onde nasceu em 28 de novembro de 1924.

Veio para o Acre em 1945, então com 21 anos, sendo lotado como agente de polícia da Regional 3. Era filho de José Amaro Tavares e Benedita Maria de Expedito Santo e tinha apenas o primeiro grau completo, o que atualmente equivale ao ensino fundamental.

Até então, nada de excepcional, que justificasse a homenagem por parte do governo acreano. Todavia, a partir dos relatos do presidente da Caixa Auxiliadora da Guarda do Extinto Território, Júlio Guedes da Rocha, descobrimos porque Antônio Amaro fez fama no Acre ao ponto de batizar o presídio onde estão recolhidos os presos mais temidos do Estado.

Amaro, além de um excelente cum-pridor de ordens, era um homem que não levava desaforo para casa, os presos tremiam ao simples soar do seu nome. As muitas histórias protagonizadas por ele, durante o período que ficou a frente da extinta penal, onde hoje funciona o Centro de Formação de Praças da Polícia Militar, entretanto, são mantidas a sete chaves por Rocha.

Todavia, há rumores, entre os próprios guardas do Extinto Território, que Antônio Amaro Alves ficou conhecido e temido graças a sua perversidade. Morava a poucos metros da antiga Penal, na colônia Dias Martins, mas também mantinha um quarto no próprio presídio, onde passava a maior parte do dia, de forma que não tirava a vista do presídio um só segundo.

Apesar da sua fama de valentão, Amaro morreu em virtude da violência sofrida durante um assalto quando retornava para sua chácara, há cerca de uns oito a nove anos. Tinha recebido uma grana alta, referente a equiparação salarial aos agentes da Polícia Federal e cometeu a imprudência de guardar o dinheiro em casa.

Na atualidade, o presídio Antônio Amaro Alves se transformou em sinônimo de violência, tortura e morte. Local de acontecimentos tenebrosos, onde estupradores têm testículos arrancados e aparecem mortos. Falta só o Executivo – responsável pela administração dos presídios – dizer que a culpa é das almas de seus perversos antigos moradores que ainda estão rondando no local.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

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