Os senadores e o DDT

É muito estranho e porque não dizer revoltante o silêncio dos senadores acreanos em relação às vítimas do DDT. Não é por falta de alarde da imprensa – como o caso é tratado nos bastidores por muitos – muito menos de evidências, haja vista que a lista de mortos já soma 59 e pode aumentar a qualquer momento.

Ademais, o médico Tião Viana (PT) já demonstrou reconhecer os riscos do petiscida ao apresentar projeto visando oficializar através de lei a proibição da fabricação, comercialização e exportação do produto no Brasil. 

Marina Silva (PV) sentiu na própria pele – e deve sentir até hoje – os efeitos de um envenenamento desta proporção ao ser contaminada por mercúrio quando ainda morava no seringal.

Geraldo Mesquita (PMDB) se auto intitulou a voz do Acre no Senado Federal, mas até hoje não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Se não fosse a determinação da comunista Perpétua Almeida – que se doou por inteiro à causa – e de outros deputados federais, como Sérgio Petecão, o extermino dos ex-guardas pelo DDT continuaria ocorrendo na surdina.

Agora, surgem as viúvas. Mulheres que mal tiveram tempos de enterrar seus maridos e começam a viver o drama da incerteza de estarem ou não contaminadas pelo veneno. Elas lutam pelo direito de serem submetidas a exames que possam, pelo menos, amenizar os efeitos da contaminação.

Tiver a oportunidade de conversar com algumas dessas mulheres na semana passada. É impossível não se comover com as suas histórias. Com as manchas escuras que se multiplicam cada vez mais nos seus corpos. Com suas lágrimas e os chamados desesperados dos filhos pelos pais que não voltarão mais.

Junto com as forças físicas, elas começam a perde a esperança. Não acreditam que estejam vivas – muito menos seus maridos – quando suas reivindicações começarem a ser atendidas, como a criação de uma pensão, nos moldes da paga aos soldados da borracha.

O que falta para que isso ocorra? Por que os nossos senadores não abraçam esta causa? Por que não exercem o seu dever constitucional de zelar pelos interesses dos acreanos que os elegeram? O que falta para que isso aconteça?

Esperamos que neste ano de 2010, o assunto DDT ganhe um maior espaço na agenda de nossos representantes no senado federal.

E que junto com os deputados federais, que já declararam apoio à causa, eles possam fazer algo de concreto para amenizar os efeitos devastadores do veneno no organismo dos ex-guardas e dos seus familiares. Sob pena de o Acre entrar para a história como um dos estados onde o DDT exterminou os ex-guardas da Sucam.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

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