Quem reclama já perdeu

A frase do título do artigo é máxima dos principais mar-queteiros políticos do país. Quando os candidatos atacam os seus adversários demasiadamente acabam gerando uma grande desconfiança dos eleitores. No Juruá encontrei gente humilde que me dizia: “rapaz, o candidato X só fala do alheio. Mas o que é que ele vai fazer mesmo?” A simplicidade da dúvida dessas pessoas que representam grande parte do eleitorado deve ser levada em consideração. Afinal, segundo os dados do TRE-AC, 65% dos eleitores acreanos variam entre o analfabetismo e o semi-analfabetismo. A comunicação tem que ser clara para essa fatia da população porque senão ninguém vai entender nada. Será uma pregação no deserto. 

Uma eleição representa, sobretudo, uma oportunidade para a sociedade debater os temas essenciais para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. É um momento em que se pode analisar aquilo que foi feito e o resultado para a população. Mais importante ainda é saber aquilo que ainda está por fazer. E melhor ainda é ouvir as comunidades para se saber o que é preciso fazer. Os ataques políticos e pessoais diminuem o precioso tempo do debate produtivo e conseqüente.

Só existe democracia forte com situação e oposição também fortes. Seja quem for que estiver no poder a função da oposição no processo democrático é fiscalizar. Mas isso tem que ser feito de maneira inteligente e convincente. Ataques gratuitos e desmedidos têm efeitos contrários ao esperado. Uma crítica tem que ser bem elaborada tecnicamente. Precisa ter coerência e não pode denotar paixão política. Atacar só visando frutos eleitorais é um tiro no pé.

No Acre, espero que a eleição que se aproxima traga mais luz ao debate. Existe muito o quê fazer por aqui. É um Estado que está criando a sua infra-estrutura e em processo de desenvolvimento social e econômico. Aquelas cantilenas habituais dos últimos pleitos, saúde de primeiro mundo, 40 mil empregos e o superfa-turamento da BR-364, já mostraram a sua eficácia: derrotas acachapantes da oposição para a Frente Popular. Espero que o nível do debate se eleve um pouco mais e que a oposição apresente um projeto de governabilidade para o Acre. Senão for assim a história vai se repetir.

* Nelson Liano é jornalista
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