Reviravolta na campanha presidencial?

Mal começou o ano eleitoral e as especulações se aceleram. Alguns colunistas da mídia nacional comentaram que pesquisas internas feitas pelos partidos já apontam uma ampla vantagem da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, sobre o tucano José Serra (PSDB) no Norte e Nordeste do Brasil. A tese dos analistas é que dentro de poucos meses a ministra do presidente Lula (PT) já deverá liderar as amostras da opinião pública nacionalmente. Vale lembrar que até colunistas desafetos do governo, como é o caso de Cláudio Humberto, publicaram tais informações.

Ainda no campo das especulações já querem fazer o desmanche da candidatura Serra. Alegam que se ele não decolar em pouco tempo deverá mesmo concorrer à reeleição para governador de São Paulo onde teria larga vantagem. Tais comentários induzem os leitores a pensarem que ainda existe uma possibilidade do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), ser o candidato tucano à Presidência da República. O fato é que, na minha opinião, Aécio teria mais chances eleitorais de derrotar o “lulismo” do que o Serra. Além de uma aprovação espetacular no seu estado, Aécio, seria uma figura mais fácil de representar o novo e, conseqüentemente, o espírito de mudanças.

Outro fator é que Aécio seria mais aceito nos setores à esquerda. Na hora do clamor da campanha pouco se teria contra um personagem que promoveu recentemente a união entre o PT e o PSDB nas eleições à prefeitura de Belo Horizonte. Aécio fez uma campanha velada no primeiro turno a favor de Lula, em 2006. Não é um político que venha sendo combatido pelas hostes do Planalto freqüentemente. Muito pelo contrário, Aécio, tem a simpatia de muitos aliados do presidente Lula.

No entanto, se pensarmos administrativamente, me parece que o Serra tem muito mais experiência do que o governador mineiro. Serra teve passagens bem sucedidas pelo Ministério da Saúde, prefeitura paulistana e, agora, no governo de São Paulo. É um currículo respeitável. Mas talvez falte ao Serra o carisma popular determinante para convencer a grande nação brasileira do seu nome.

Não se iludam! Derrotar a Dilma, os bilhões do PAC e os 84% de popularidade do Lula não será nada fácil. Para a oposição brasileira fica a esperança da repetição dos fatos da recente eleição no Chile. A atual presidente, Michelle Brachelet, tem uma aprovação também na casa dos 80%. Mas não conseguiu transferir a sua popularidade para o seu candidato. Com promessas de mudanças essenciais no país, o mega empresário, Sebastian Piñera, venceu o pleito até com uma certa facilidade.

O fato é que nada ainda está definido. Tanto pode mudar o Serra quanto a própria Dilma. Tudo vai depender das próximas pesquisas. Até julho, quando as candidaturas devem ser confirmadas, ainda vai rolar muita água por debaixo da ponte.

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