Analfabetos do mercado

A informática vem demonstrando, cada vez mais, que seus analfabetos terão vida curta neste novo mundo que nos oferece. Mesmo na zona rural, pelo menos nas fazendas e pólos mais desenvolvidos, a chegada de maquinário semi automático exige de seus usuários o mínimo de qualificação na informatização.

Nas demais áreas, jornais, empresas, autônomos e outros setores, principalmente o burocrático, quero dizer, o público, exige a qualificação para atender esses pobres sofredores que são os cidadãos comuns. Falo isso porque vira e mexe nos são apresentados novos programas que são exigidos para continuarmos na “ciranda” do mercado de trabalho.

Os computadores ficam rapidamente saturados, seja pela velocidade de processamento, seja por uma memória pequena demais ou por uma série de aparatos (leia-se hardware) para darem compatibilidade com necessidades que um simples upgrade (atualização) deveria dar vazão a nossa carência. Mas o mercado exige isso, para que novos produtos e novas vendas se façam necessário para deixar o “dim-dim” (isso também significa dinheiro e não o chargista de A GAZETA) rodando na praça.

Para quem chega agora ao mercado, com as ferramentas e os conhecimentos certos destes softwares, fica bem mais fácil sua compatibilização com esta era de ouro da informática. Para outros a reci-clagem se faz necessário para não acabar se transformando em uma peça de museu encostado em algum canto de uma sala, como se tornaram as Olivetti’s.

Nas redações, nos serviços públicos e nos demais setores do comércio e indústria, diariamente nos deparamos com esses analfabetos da informática. Vivendo de pequenos favores de quem a informática é uma amiga e não um inimigo. Um simples download, um simples e-mail ou mesmo uma simples transferência de dados para o servidor, pode se transformar em uma epopéia mitológica sem fim.

Existem casos em que pessoas só sabem utilizar o site que o navegador abre. Aqui entra o analfabeto da internet, o principal vilão da ociosidade em algumas redações, transformando intelectuais em verdadeiros experts em Control C + Control V.

Quando falo isso não é apenas uma crítica, mas uma verdade que nos obriga a varar a madrugada (isso no bom sentido) baixando aulas, estudando textos e cursos, tudo para que possamos continuar neste instigante mercado. Maltrata, sufoca, estressante, mas apaixonante, por isso mesmo alguns sacrifícios, mesmo atingindo diretamente o lazer com a família, se fazem necessário. Bons estudos aos analfabetos, que se tornem doutores, pois aquele que acredita tudo pode.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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