Qual a penalidade?

Nos principais jornais brasileiros o que se vê é um verdadeiro descaso com a inteligência da população. Refiro-me aos casos em que a imprensa revela os “mensaleiros”, as “meias de ouro” e outros fatos aonde o dinheiro público não passa de uma “moeda de troca”, seja pagando favores ou silenciando consciências pesadas.

Mas o que me refiro sobre descasos são que as mesmas pessoas envolvidas em escândalos, são as mesmas que relatam, absolvem, julgam ou simplesmente burocratizam as CPI’s o tempo suficiente para serem dissolvidas. O problema é que ninguém é capaz de acabar com esta bandalheira espalhada por este imenso Brasil que, em alguns outros países, é o sinônimo de corrupção e, para quem tem dinheiro, impunidade.

Você, leitor, é capaz de me responder quem é mais vil, o ladrão de um comércio que leva R$ 400 mil, tirando do empresário e seus funcionários a tranqüilidade, ou os políticos (e assessores) corruptos que desviam milhões da Segurança Pública (impedindo que seus policiais recebam preparação adequada para o atendimento ou armando-os para a guerra instaurada), da saúde pública (tirando das prateleiras dos hospitais os remédios necessários para a melhoria de milhões, equipamentos obrigatórios para salvar vidas), ou na educação pública.

Este último, para mim, é o mais hediondo de todos os crimes, pois além de não permitir que o Brasil cresça, pois sua população deixa de receber uma educação adequada para que um país em pleno desenvolvimento merece. Pior ainda, para muitas crianças a merenda fornecida no intervalo é a única que terão durante todo o dia e até isso lhes é negada.

Para você, leitor, pode não saber as resposta, mas para mim o primeiro, o assaltante, seria facilmente condenado a 30 anos de trabalho forçado. No entanto, o segundo, o corrupto, poderia facilmente pegar uma pena ainda maior, e mesmo assim seria branda. Mas fazer o que? Afinal de contas quem elabora as leis parecem fazer questão de atenuar a vida dos bandidos, talvez se imaginando um dia respondendo pelos tais crimes.

Inocências são roubadas, esperanças são arrancadas, tudo porque alguns se acham acima da lei. Não vamos esquecer que falamos apenas do joio, não do trigo, por isso mesmo não coloquem carapuça, pois entre muitos, existem aqueles interessados realmente por um país melhor.

Lembro de uma outra época, onde estudantes protestavam, até ouvidos, mesmo que a ditadura tentasse impedir, conseguiam pensa, mobilizar. A cada dia nossos acadêmicos parecem mais alienados aos problemas de nosso país, absolvidos por problemas pessoais, muitos esquecendo juramentos “hipócritos”, de deixar este mundo um pouco melhor do que encontrou.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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