A falácia dos engenheiros

Uma entrevista com Dilma Roussef na REDETV quinta-feira esclareceu o velho problema das rodovias estarem sempre apresentando problemas, sobretudo quando chega o inverno. Em geral as pessoas culpam a natureza, mas na opinião daquela ministra a natureza não tem nada a ver com isso sendo dos gestores a total responsabilidade. Isso porque a pavimentação com asfalto vem sendo feita, em toda parte, sem os indispensáveis serviços de engenharia no tocante à drenagem das águas pluviométricas. De fato, esse tipo de aporte à obra pode ser encontrado na Transoceânica, construída recentemente pela Ode-brecht e associadas. Ali, podemos ver, nas laterais valetas construídas para escoamento das águas da chuva, com um bom acabamento, diga-se de passagem.

O preço ou custo do quilômetro asfaltado é muito alto, sobretudo para nossa região, de maneira que podemos adivinhar que existe muito desperdício de recursos públicos na medida em que obras de reforma ou recuperação estão sempre sendo feitas. Sem contar os acidentes e a exposição ao risco por parte dos motoristas e passageiros como aconteceu recentemente com a interrupção do tráfego para Sena Madureira por causa de um deslizamento na própria rodovia. O que fica patente é que os métodos da engenharia que são aplicados em nossa região não parecem estar de acordo com as condições ambientais no que se refere à segurança e durabilidade da obra. Algo está errado no que tange à aprovação desses projetos seja por parte do Executivo seja por parte do Legislativo.

Um artigo do professor Écio Rodigues da Ufac o qual li recentemente, pela internet, de título “Sobre Água, Chuva, Alagação e Barrancos”, fala sobre essa mesma questão que persiste nos discursos dos gestores, quais seja, estarem sempre acusando a natureza, justificando os problemas com base no volume maior de água precipitada, que ocorre neste ou naquele inverno, neste ou naquele mês, como se todos os problemas fossem causados pela natureza.
O que parece patente é que tanto os gestores como os engenheiros não apresentam a menor preocupação com a realização de estudos relativos ao ambiente sobre o qual erigem suas obras Segundo aquele professor e coincidentemente, a ministra chefe da Casa Civil, os problemas com deslizamentos, desbar-rancamentos são todos causados pela má gestão. Dilma Rousseff usou, naquela entrevista, os mesmos argumentos do professor da Universidade Federal do Acre, que vamos reproduzir neste artigo:

“Ocorre que a água possui um ciclo hidrológico perfeitamente conhecido por qualquer vestibulando. É a mesma quantidade sempre, não diminui nem aumenta no planeta e muda de estado físico (sólido, líquido e gasoso) segundo as condições de clima. Por uma questão meramente física, a água que cai vai ser evaporada para voltar a cair. A permanência da água em determinado estado físico depende das condições do ambiente.

Se há como a água infiltrar na terra, e chegar ao lençol freático ela permanecerá mais tempo em estado líquido reduzindo a evaporação. Se não há infiltração, como acontece na cidade onde toda terra foi impermeabilizada pelo asfalto e concreto, mais água evapora e mais água vai cair de volta.
Enquanto há alagações  porque a água não tem para onde ir, há des-barrancamento porque as pessoas constroem onde não deviam, devido à total ausência de autoridade pública para organizar a ocupação da cidade”.

O referido professor disse que “com uma ladainha sem fim, as autoridades públicas, sem exceção de partidos políticos ou de uma ou outra unidade da federação, se esforçam para se justificar diante da revolta da população com as alagações, sobretudo em áreas urbanas que se espalham pelo país. Os gestores por não conhecerem as causas se perdem na busca de subterfúgios ou hipóteses, sem relação de causa e efeito.

Essa é uma crítica que aponta para uma situação gravíssima: o desperdício de recursos públicos e a ausência de data de validade nas placas das obras públicas para que o usuário possa saber por quanto tempo aquela camada de asfalto vai permanecer assentada sobre o solo, e a partir de quando começará a apresentar rachaduras e outros problemas causadores de acidentes.

E ainda, para o fato de que a maioria dessas obras não tem sustentação científica, parecem mais acordos do tipo onde uma parte faz o mínimo para ganhar mais e a outra é complacente, aprova, mesmo porque os recursos não saem do próprio bolso e sim da União. Por fim, já está na hora de se contratar um corpo de cientistas para a Assembléia Legislativa e para Câmara de Vereadores que sejam concur-sados e que não dependam de apadrinhamento político, que seja uma câmara técnica de fato cujos pareceres sejam indispensáveis e resguardados por lei.

 

 

 

 

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