Tão longe e tão perto

As plantas como os demais seres vivos surgiram na água há quatrocentos e sessenta milhões de anos, par-cialmente submersas. Passados mais sessenta milhões de anos é que surgiram as primeiras plantas vasculares, isto é, com os vasos lenhosos e liberianos. Os nossos compõem os sistemas venoso e arterial, mas nós surgimos muito depois.

Passados mais cem milhões de anos é que surgiram as sementes e mais duzentos milhões de anos se passaram para que surgisse o fruto com as sementes dentro dele. Estas plantas, denominadas de angiospermas, passaram a ocorrer com o surgimento também dos insetos, pois, existe uma colaboração recíproca, entre eles, pela alimentação e reprodução. Na flor estão os ovários e os óvulos, após a fecundação os óvulos se transformam em sementes e o ovário em fruto. Interessante notar que o nosso ovário feminino tem a forma de pêra.

As gimnospermas são plantas que produzem sementes, mas não produzem frutos. O grupo mais conhecido é o das coníferas, como o pinheiro, o cipreste e a sequóia. São muito comuns no hemisfério Norte, as florestas de coníferas. No Sul do Brasil há uma formação vegetal de coníferas, chamada mata das araucárias. Ali predomina um grande pinheiro que deu nome à mata, o pinheiro-do-Paraná, cujo nome científico é Araucária angustifólia. Essa floresta cobria grande parte dos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, mas hoje pouco resta dela, foi praticamente devastada para a retirada da madeira. Daí, os madeireiros vieram para cá.

Na maioria das plantas os grãos de pólen são as estruturas reprodu-toras masculinas, que contém a célula sexual. Levados pelo vento, os grãos de pólen vão fecundar os óvulos no estróbilo feminino. Nasceu uma goiabeira no muro da minha casa.

As plantas estão respirando o tempo todo, como nós. A sua respiração ocorre em todas as células vivas. Na planta tudo respira: a raiz, o caule todas as partes vivas. Pela respiração elas absorvem o oxigênio do ar e eliminam o gás carbônico. Do mesmo modo como os animais, as plantas através da respiração, quebram as moléculas de açúcar (glicose) produzindo energia para a sua sobrevivência.

A transpiração é o processo de eliminação de vapor de água. À medida que a evaporação acontece, as folhas vão sugando a água contida nas nervuras onde estão os vasos de modo que conforme vai evaporando vai entrando água pelas raízes.

A Fotossíntese é o modo pelo qual a planta produz o alimento de que precisa com o auxílio da luz solar. A água e os sais minerais absorvidos pelas raízes sobem pelos vasos e chegam às folhas, onde a clorofila, pigmento verde, absorve a energia luminosa do sol. Ao mesmo tempo, pelos poros a planta absorve também o gás carbônico do ar.

Através de complexas reações químicas, as folhas produzem açúcares (glicose e amido) e outras substân-cias que lhes servem de alimento; para isso, elas usam a energia solar, o gás carbônico do ar e o hidrogênio contido na água retirada do solo. A seiva bruta torna-se seiva elaborada com acréscimo da glicose e do oxigênio e então, desce pelos vasos liberianos e é distribuída a todas as partes da planta.

 É durante a fotossíntese que a planta produz moléculas de oxigênio a partir das moléculas de água que ela retira do solo. Esse oxigênio, liberado para a atmosfera, é utilizado pelos seres vivos no processo da respiração. Esse é o motivo porque as plantas são importantes para a vida na terra. Sendo que a maior parte do oxigênio do planeta é produzida por algas aquáticas clorofiladas, principalmente algas marinhas. Essas algas contribuem com cerca de 90% de um total estimado de 400 milhões de toneladas de oxigênio produzidas por ano. Este é o motivo porque os vazamentos de óleo nos mares constituem desastres ecológicos.

Durante os invernos muito frios as plantas desenvolvem uma forma curiosa de adaptação: para economizar energia, algumas plantas deixam cair suas folhas e garantem sua sobrevivência com as reservas de alimento armazenado em seu organismo. Há uma inteligência silenciosa operando na Terra. É sobre isso que trata o filme Avatar, que vem sendo assistido por milhões em todo o planeta.

A mandioca é um exemplo de planta com muitas reservas. Rica em amido é considerada a mais brasileira das plantas porque sustentou milhares de gerações: dos tupis, aruaques, jês e guaranis, depois africanos e portugueses. Foi o povo tupi que a domesticou e purgou do mortífero ácido prússico. Eduardo Bueno, em sua História da Indústria no Brasil, indaga: em meio a recursos vegetais tão ricos, por que os tupis teriam adotado uma planta venenosa? Porque é resistente à seca: enquanto as outras esturricam, a mandioca floresce. Porque não precisa de terras férteis: pode ser criada “no pó, sem dó”. Porque, uma vez processada, conserva-se por meses a fio. Por fim, porque além de durável e saborosa, vira mingau, pudim, pirão, tapioca, beiju. E, para os próprios indígenas fornecia o cauim, bebida inebriante que regava os seus festejos.

Conta-se que D. João VI foi visitar o Engenho da Lagoa, de propriedade de Rodrigo de Freitas onde pretendia construir uma fábrica de pólvora. Mas a beleza da região muito o sensibilizou. Assim, por um decreto de 13 de junho de 1808, foi mandado preparar um terreno para um Jardim de Aclimatação, destinado a introduzir no Brasil a cultura de especiarias das Índias Orientais.

 A admiração de D. João pelo horto era tão grande que, durante seu reinado, o parque foi mantido como privado. Foi seu filho, D. Pedro I quem acabou por franqueá-lo ao público, desde que os visitantes fossem convidados e acompanhados de guardas.

Com árvores centenárias, cerca de cinco mil espécies, o Jardim Botânico conta hoje com duzentas famílias botânicas que o tornam uma das maio-res exposições de plantas vivas reunidas em um parque, onde estudiosos fazem pesquisas de suas muitas espécies vegetais, além da visitação pública em geral.

Quando lemos Marcel Proust “Em Busca do Tempo Perdido”, notamos que ele descreve páginas após páginas as espécies do reino vegetal da província onde nasceu não como um cientista, mas, como um amigo íntimo. Talvez fizesse bem às futuras gerações a criação de Jardins Botânicos em todos os municípios acreanos. Por ora, só se pensa em extrair, vender, exportar, sempre com muita pressa, sem respeito algum pelo ambiente. Vale a expressão “tão longe e tão perto” para essa problemática relação do homem acreano com a natureza. Faltam estratégias culturais e educacionais de aproximação e sensi-bilização.  (Para este artigo consultei Daniel Cruz professor do magistério do Estado do Rio, licenciado em Física na UERJ e que publicou Ciências e Educação Ambiental).

 

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